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Reportagem |
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| Dante - Poemas autobiográficos |
| A obra de Dante se constrói em torno de um núcleo autobiográfico, tendo sempre à frente um eu poético que coincide com o eu empírico do autor |
| por Eduardo Sterzi |
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WALKER ART GALLERY, NATIONAL/MUSEUMS LIVERPOOL |
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| Sonho de Dante, em tela de Dante Gabriel Rosseti (1828-82), representante do movimento pré-rafaelita |
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[continuação]
Essa tensão é bem expressa pelo trecho da epístola ao príncipe Cangrande della Scala, seu protetor por ocasião do exílio em Verona, em que Dante tenta definir a “forma” da Comédia por meio de uma série proliferante, e em alguma medida contraditória, de adjetivos: “Forma sive modus tractandi est poeticus, fi ctivus, descriptivus, digressivus, transumptivus, et cum hoc diffi nitivus, divisivus, probativus, improbativus, et exemplorum positivus” (“A forma, ou modo de tratar, é poética, ficcional, descritiva, digressiva, transuntiva, e ao mesmo tempo definitiva, divisiva, probativa, improbativa e exemplificativa”).
Amor unilateral ■ Na Vida nova, seu primeiro livro, no qual, por volta de 1294, reúne e comenta alguns dos sonetos e canções, e uma única balada, que escrevera a partir de 1283, Dante se apresenta como um poeta saindo da juventude e ainda sob o impacto da morte de sua amada, Beatriz. A história desse amor (a rigor, unilateral) é rememorada em ordem cronológica, com certa precisão, numerologicamente manipulada, para a passagem do tempo, mas com deliberada omissão de nomes de pessoas e lugares. Apenas Beatriz é nomeada, e ainda assim porque seu nome pode ser lido também como apelido: Beatriz é aquela que dá beatitude. |
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| Eduardo Sterzi é poeta e doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp, com tese sobre Dante Alighieri e a origem lírica moderna. É autor dos livros Prosa (2001) e Por que ler Dante Alighieri (2008). Atualmente, realiza pós-doutorado na USP e prepara seu segundo livro de poemas, Aleijão. |
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