Reportagem
  
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Dante - Poemas autobiográficos
A obra de Dante se constrói em torno de um núcleo autobiográfico, tendo sempre à frente um eu poético que coincide com o eu empírico do autor
por Eduardo Sterzi
GALERIA NACIONAL DE VITÓRIA/MELBOURNE
São Pedro e São Tiago com Dante e Beatriz, em aquarela feita pelo poeta inglês William Blake, para o “Paraíso”, da Divina Comédia.
[continuação]

A narrativa começa pelo primeiro encontro de Dante e Beatriz, quando ambos tinham nove anos (o número nove é recorrente na Vida nova, como cifra milagrosa). Dos anos precedentes da infância, nada é dito no livro e pouco se sabe: que Dante foi batizado (com o nome de “Durante”) em 26 de março de 1266; que nascera no ano anterior sob o signo de Gêmeos, o que permite a seu biógrafo, Giorgio Petrocchi, inferir, “com quase absoluta certeza”, que veio à luz em algum dia entre 14 de maio e 13 de junho, e “mais provavelmente lá pelo fim de maio”; que seu pai era Alighiero Alighieri (ou Alighiero II), e sua mãe, Bella, possivelmente da família Abati; que a mãe morreu jovem (em alguma data desconhecida entre 1270 e 1275), e Alighiero casou-se em segundas núpcias; que seu avô paterno, Bellincione, contou-lhe inúmeras histórias sobre Florença, as quais ele retomaria na Comédia; enfim, que passou a meninice na mesma casa em que nasceu, na paróquia de San Martino del Vescovo, com alguns breves intervalos em outras propriedades da família, em Camerata e San Miniato a Pagnolle.
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Eduardo Sterzi é poeta e doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp, com tese sobre Dante Alighieri e a origem lírica moderna. É autor dos livros Prosa (2001) e Por que ler Dante Alighieri (2008). Atualmente, realiza pós-doutorado na USP e prepara seu segundo livro de poemas, Aleijão.