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| Cassino Royale, baseado no livro de Fleming que inicia saga de James Bond |
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Eles falam pouco, escutam muito e vêem tudo. Atrelados aos dois grandes conflitos mundiais e à Guerra Fria, os romances de espionagem legaram à literatura situações e tipos indeléveis, em enredos que continuamente se nutrem de tensões internacionais para criar tramas por vezes muito parecidas com a realidade.
Nem tão imperceptível quanto seus pares e mais espetacular que todos eles, James Bond é o primeiro personagem que vem à cabeça quando se pensa nesse gênero. Sobrevivente a todas as eras, o espião chegará à 15a aventura em 2008, quando se comemora o centenário de seu criador, Ian Fleming. Assinado por Sebastian Faulks, Devil may care mantém a saga iniciada 54 anos atrás com Cassino Royale, obra em que surgem pela primeira vez o charme, o humor, a audácia e as extraordinárias habilidades do agente do Serviço Secreto Britânico “com licença para matar”.
Uma década depois de Bond, John Le Carré – ex-funcionário da Inteligência britânica, como Fleming – publicou o que foi considerado o melhor romance do gênero por outro grande nome do métier, Graham Greene. O espião que saiu do frio é Alec Leamas, um homem menos exitoso e mais real que Bond. Na Berlim Oriental, coordena um grupo de agentes ocidentais, mas sua missão falha. Por ordens superiores, tem de voltar a encontrar seus traumas do outro lado da Cortina de Ferro.
Também recrutado pela espionagem, o médico franco-inglês William Somerset Maugham imortalizaria suas expe¬riências em O agente britânico. Escrita em 1928, sua série de contos traz à tona um espião de hábitos sofisticados, John Aschenden, personagem que inspiraria Fleming, Greene e George Orwell.
Igualmente membro do serviço secreto, Greene criou a mais aclamada paródia do universo de informantes internacionais. Em Nosso homem em Havana, um vendedor de aspiradores de pó, de olho na polpuda remuneração, aceita tornar-se agente. Passa a inventar intrigas e chega a ser promovido pela Inteligência de Londres. |