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Reportagem |
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| edição 30 - Outubro 2007 |
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| Infância querida |
| De Dickens a Molnár, de Graciliano a Ariès, dez autores tratam da vida das crianças |
| por Fernanda Coutinho |
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DIVULGAÇÃO |
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| Cartaz de Os meninos da rua Paulo, baseado em livro de Molnár, com direção de Zóltan Fábri, 1969 |
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A infância é um tema antigo, existe desde a literatura grega, com uma ressalva, porém: até antes do século XIX, de modo geral, os narradores apressavam o passo nos relatos infantis da vida das personagens. Que autores fizeram obras em que a criança se situa no centro dos acontecimentos, e em que a descoberta do mundo aparece como a grande aventura a ser narrada?
Charles Dickens, que ajudou a firmar o tema da infância como um forte componente dos relatos romanescos no século XIX, é um deles. Em Grandes esperanças (1861), expõe, através de Pip, a fértil imaginação da mente infantil, ao mesmo tempo que revela o dilema da criança diante da linguagem cifrada do mundo adulto.
A “infância dolorosa” tornou-se de fato um mito literário por esse tempo. Há ainda romances autobiográficos que reprisam a questão, como o de Jules Renard, Foguinho (1894), que mostra o protagonista como bode expiatório da mãe, que o submete a duras provas de aprendizagem da solidão e do medo. |
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