Reportagem
  
edição 27 - Julho 2007
Jazz sem improviso
Dez livros para desvendar conceitos e personagens da música negra americana
por Carlos Eduardo Ortolan
© CENTRO DE HISTÓRIA AMERICANA, UNIVERSIDADE DO TEXAS
O jazz dos anos 20 da The King & Carter Jazzing Orchestra
“A jazzologia é uma ciência exata”, já pontificava o escritor argentino Julio Cortázar, ele próprio trompetista amador, apaixonado pela música negra originária de Nova Orleans e autor de belíssimos textos sobre Clifford Brown e Louis Armstrong. O leitor desejoso de se iniciar nos meandros das improvisações jazzísticas encontrará uma miríade de estilos e gêneros, muitas vezes defendidos com selvageria fanática pelos aficcionados: a seita dos jazzistas também tem seus santos e autos-de-fé.

Claro, conciso, muito bem informado, O que é jazz?, do jornalista Roberto Muggiati, é possivelmente a melhor introdução disponível ao tema, abordando todos os gêneros de jazz, do dixieland ao fusion. O jornalista especializado em artigos e livros sobre música também escreveu New jazz: de volta para o futuro, no qual aborda os artistas contemporâneos, como Wynton Marsalis, no mesmo estilo leve e agradável. Muggiati também traduziu as autobiografias de Billie Holiday e de Charles Mingus, ambas pela Jorge Zahar.

Os americanos fizeram e os franceses refletiram a respeito; isso se aplica ao romance policial, ao film noir e ao jazz. Na linha da história da vida privada, No mundo do jazz, de François Billard, descreve as aventuras cotidianas dos jazzistas, suas turnês, o problema do racismo, num livro que vale como uma pequena história do gênero musical.

O célebre historiador marxista Eric Hobsbawm também engrossou as fileiras dos apreciadores do jazz. História social do jazz é uma recolha de artigos de jornal dedicados ao tema. Importante sobretudo para a reflexão do impacto da música negra americana sobre os intelectuais brancos (como o próprio Hobsbawm), e de como uma música popular, vista com suspeição pela intelligentsia, adquiriu respeitabilidade e interesse (para o bem e para o mal) da elite do pensamento.
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