Reportagem
  
edição 27 - Julho 2007
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Jazz sem improviso
Dez livros para desvendar conceitos e personagens da música negra americana
por Carlos Eduardo Ortolan
[continuação]

No Guia de jazz em CD, Luiz Orlaando Carneiro e José Domingos Raffaelli fazem uma seleção comentada de discos de jazz. Do clássico ao contemporâneo. Já Kind of blue, de Ashley Kahn, disseca o álbum que se tornou provavelmente o maior clássico do jazz. Repleto de paixão, sólida informação e conhecimento musical, Kahn faz uma retrospectiva da carreira de Miles Davis até a gravação do disco e analisa em profundidade cada faixa desse divisor de águas na história da música. Temos aí o Miles instrumentista, compositor, caçador de talentos (Davis “descobriu” John Coltrane, Sonny Rollins, Bill Evans, Herbie Hancock, Chick Corea, para só nomear alguns), participante do bebop, inventor do cool jazz, artífice da improvisação modal, vanguardista do hard bop, pioneiro da fusão do jazz com o rock.

Miles Davis também é um dos personagens de Ao vivo no Village Vanguard, de Max Gordon. No livro, o dono do mais famoso clube de jazz do planeta narra as saborosas histórias da casa, dos tempos da lei seca aos dias de hoje, protagonizadas por figuras como Thelonious Monk e Charles Mingus, além de Miles. Jazz: a autêntica música norte-americana, de James L. Collier, por sua vez, é uma obra mais teórica, escrita por um músico, com análises aprofundadas da obra de Louis Armstrong, Duke Ellington, e da arte do improviso.

No fundo de um sonho, de James Gavin, é a biografia definitiva de Chet Baker, o trompetista mais lírico do jazz, intérprete de baladas inesquecíveis como My funny Valentine e Deep in a dream, que dá título ao livro. Iconoclasta, Gavin nos exibe um Baker muito diverso do galã à James Dean que encantou a América: viciado em heroína, autodestrutivo, a vida de Chet foi o epítome do artista torturado em seu inferno pessoal (tal como Charlie Parker, Billie Holiday e mais centenas de músicos), até culminar com sua morte inexplicada ao cair (ou saltar, ou ser jogado) de um hotel em Amsterdã.

Outra ótima biografia é Ella Fitzgerald, do pesquisador inglês Stuart Nicholson. Dona de afinação perfeita, divisão e swing incomparáveis, a primeira-dama do jazz tem sua trajetória contada por Nicholson, da juventude como menina pobre ao sucesso de crítica e público.
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