Reportagem
  
edição 27 - Julho 2007
Nelson Ululante
Trágico e moderno, tornou-se popular como frasista inspirado e reacionário, mas é um dos grandes dramaturgos do século XX
por Carlos Haag
© AGÊNCIA O GLOBO
Nelson visita set de filmagem deOs 7 gatinhos, final dos anos 70
Nelson Rodrigues (1912-1980) é o homenageado da quinta edição da Festa Literária Internacional de Parati (4 a 8 de julho), a Flip. Editoras lançam novas edições de sua obra, montagens se multiplicam aqui e lá fora. É óbvio ululante que ele merece tudo isso, dirá você. “Toda unanimidade é burra e a opinião pública é uma doente mental”, diria, talvez, Nelson. Não importa, pois ele nos faz falta, embora, após a biografia de Ruy Castro, os estudos de Sábato Magaldi, as séries da TV, a edição, até em inglês, de sua prosa e teatro, não seja mais o incompreendido “anjo pornográfico”, mas um reconhecido autor nacional, digno de festas literárias.

Nelson, no fim da vida, caiu no pior ostracismo possível: a fama. Odiado pela esquerda, como reacionário, e pela direita, como tarado, falava-se nele todo o tempo, sem que fosse compreendido. De repente, sumiu, virou folclore, fonte de citações divertidas e ponto. Por um período, suas obras não-teatrais voltaram às livrarias, em edições logo esgotadas. Agora, depois de uma complexa negociação de direitos autorais, a Agir, da Ediouro, relança toda a sua obra em prosa, coleção iniciada com A vida como ela é, O casamento e que traz, agora, O homem proibido (assinado, em 1941, por Suzana Flag) e o celebrado Óbvio ululante. A Nova Fronteira, que detém os direitos de sua obra para o teatro, lança agora uma edição trilíngüe (português, inglês e francês) de O beijo no asfalto. A obra terá também adaptação para os quadrinhos de Arnaldo Branco e Gabriel Góes. Pela mesma editora, é relançado Trágico, então moderno, de Angela Leite Lopes.
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