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Reportagem |
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| edição 27 - Julho 2007 |
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| Nelson Ululante |
| Trágico e moderno, tornou-se popular como frasista inspirado e reacionário, mas é um dos grandes dramaturgos do século XX |
| por Carlos Haag |
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| OBRA-PRIMA: Vestido de noiva - Nelson Rodrigues, Nova Fronteira, 96 págs. BURACO DA FECHADURA: A vida como ela é - Nelson Rodrigues, Agir, 512 págs.,R$ 59,90,Esgotado. |
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[continuação]
É por isso que sentimos sua ausência. “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de ‘ilustre’, de ‘formidável’, qualquer borra-botas.” Ele sabia do que falava. Nascido em Recife, em agosto de 1912, era o quinto filho da série de quatorze rebentos do jornalista Mário Rodrigues e um dos vários a seguir o métier paterno. Como ficava pouco em casa, o pai de Nelson permitia que os filhos o visitassem nas redações dos vários jornais em que trabalhou ou dirigiu. Não sem razão, uma vizinha pediu à mãe do futuro autor de Vestido de noiva que ele parasse de freqüentar a casa dela. Detalhe: ele tinha quatro anos. Aos oito anos, participando de um concurso de redação escreveu uma história de adultério. Aos 15, apaixonado por uma estrela da companhia teatral de Alda Garrido, invadiu o palco com um buquê de flores nas mãos. Foi expulso aos pontapés de cena. Naqueles tempos, quem gostava de apanhar era ele.
Antes, aos 13 anos, já tinha virado jornalista de verdade, repórter de polícia no jornal do pai, ao lado dos irmãos Milton, Roberto (ilustrador de genial morbidez) e Mário Filho. Abandonou os estudos, parando na terceira série do ginásio e não voltou mais para a escola. Jeitoso, agradou o pai com seus textos e ganhou o privilégio de ter uma coluna assinada. Abusou: enxovalhando Rui Barbosa, voltou, como penalidade, para a seção policial. Estava trabalhando, aliás, quando uma socialite, que fora denegrida na primeira página, entrou na redação para atirar no pai e acabou matando Roberto. Sua vida entra em parafuso em poucos anos: Mário pai morre três meses depois da tragédia, a família passa fome, ele contrai tuberculose, fica quase cego, ganha uma úlcera e perde o irmão Joffre, também tuberculoso. “As tragédias pessoais e familiares, além das que cobriu como repórter policial em idade precoce, calaram fundo na alma do jovem Nelson e ajudaram a enformar suas concepções. Daí, a presença marcante, em suas obras, de personagens e acontecimentos marcados por um destino inexorável do qual não se pode escapar”, observa Rabelo. |
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