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Reportagem |
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| edição 27 - Julho 2007 |
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| Nelson Ululante |
| Trágico e moderno, tornou-se popular como frasista inspirado e reacionário, mas é um dos grandes dramaturgos do século XX |
| por Carlos Haag |
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| CRÔNICAS IMPERDÍVEIS:O óbvio ululante -Nelson Rodrigues,Agir, 424 págs., R$ 44,90. O OUTRO NELSON: Não se pode amar e ser, feliz ao mesmo tempo, Myrna/ Nelson Rodrigues, Companhia das Letras, 152 págs., Esgotado. |
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[continuação]
“Eu sou um triste”, suspirava, ainda adolescente. “Trágico e moderno, o destino se manifesta na sua literatura como resultado de sua concepção pessimista do homem como um ser frágil, ignorante, incoerente, desesperado e um tanto enlouquecido perante a ilogicidade da vida, a indiferença da natureza, a falta de amor e o descontrole dos impulsos sexuais”, resume o pesquisador. Tinha paixão pelo Dr. Stockman, personagem da peça de Ibsen, O inimigo do povo, um solitário que tem razão contra toda a sociedade. Mas há sempre uma luzinha em todo túnel escuro. “No âmbito de suas vidas medío¬cres, os personagens de Nelson nutrem como grande ambição de sua existência o anseio pelo amor eterno, puro, sincero, num mundo que teria conspurcado o amor verdadeiro com o sexo pelo sexo, uma espécie de queda do paraíso que gerou toda a sorte de males que assolam a humanidade”, avalia Sábato Magaldi. Casa-se em 1940 com Elza Bretanha e, desesperado para sustentar a nova família, descobriu a solução ao passar diante de um teatro, onde havia uma fila gigante para a comédia A família Lerolero.
Resolveu, então, escrever a sua, A mulher sem pecado, de 1941, que só conseguiu colocar em cena um ano mais tarde. Em 1943, deu o salto mortal: Vestido de noiva. Enviou cópias para todos os figurões literários da época, inclusive Manuel Bandeira, que gostou do texto. Nelson, enfim, estava prestes a fazer sucesso, mas não havia quem tivesse coragem de investir dinheiro para montar uma peça cheia de cortes cinematográficos e diferentes planos cenográficos. Quando um ex-bancário e encenador, Thomaz Santa Rosa, e um recém-chegado diretor polonês, Ziembinski, se reuniram, a coisa andou. “Foi uma verdadeira revolução no teatro brasileiro no âmbito da técnica, dos temas, da linguagem cotidiana, dos personagens postos em cena. Subvertendo as comédias de costumes, os vaudevilles, as peças pseudofilosóficas que dominavam o teatro àquela época, Nelson realizou, tardiamente, a modernização da cena brasileira”, avalia Rabelo. Ele ficou feliz com o sucesso, mas precisava mesmo de dinheiro. Para tanto, ao longo da vida, fez de tudo: escreveu folhetins com o pseudônimo de Suzana Flag, uma coluna sentimental assinada por Myrna, deixou que usassem seu nome como tradutor dos romances picantes de Harold Robbins (um marketing genial dos editores), embora não soubesse ler em inglês. |
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