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Reportagem |
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| edição 27 - Julho 2007 |
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| Nelson Ululante |
| Trágico e moderno, tornou-se popular como frasista inspirado e reacionário, mas é um dos grandes dramaturgos do século XX |
| por Carlos Haag |
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| SOBRE NELSON: O anjo pornográfico - Ruy Castro, Companhia das Letras, 464 págs., R$ 53,50. VISÃO DO CRÍTICO: Nelson Rodrigues – dramaturgia e encenações, Sábato Magaldi, Perspectiva, 206 págs.,R$ 26. |
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[continuação]
No tempo que sobrava nas redações, escrevia peças. Foram dezessete delas, entre as quais: Dorotéia, Álbum de família, Anjo negro, Boca de ouro, Bonitinha mas ordinária, o Anti-Nelson Rodrigues, Os sete gatinhos, Beijo no asfalto e A serpente. Teve tempo também para muita prosa: o romance O casamento (escrito a pedido do antes inimigo, Carlos Lacerda) , o “seriado” Engraçadinha (depois transformado em livro em duas partes) e as inúmeras crônicas de A vida como ela é para o Ultima Hora, de Samuel Wainer. Ao longo desse universo de textos foi desenvolvendo o estilo casual de escrita, pleno de gíria e tipos cariocas, ao mesmo tempo universais. São seres obsessivos, apaixonados, neuróticos, hiperbólicos, abissais, sempre em situações-limite, levando suas taras às últimas conseqüências. A morte, um tema constante, é, aliás, o último e único gesto de dignidade dessas existências banais e perdidas, tão características da classe média urbana brasileira (como também o era o próprio Nelson). Foi com esses mesmos olhos que recebeu bem a ditadura militar, embora não deixasse de usar seu prestígio junto ao regime para ajudar amigos. |
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