Reportagem
  
edição 27 - Julho 2007
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Nelson Ululante
Trágico e moderno, tornou-se popular como frasista inspirado e reacionário, mas é um dos grandes dramaturgos do século XX
por Carlos Haag
DIVULGAÇÃO
Boca de ouro, de Nelson Pereira dos Santos, 1963; na obra de Nelson, a morte é o instante de dignidade
[continuação]

E também o filho, Nelsinho, que recusou o privilégio do exílio, conseguido pelo pai com Médici, e, na prisão, informou o dramaturgo das torturas, que ele desconhecia. Morreu em dezembro de 1980, no mesmo dia em que, junto com um grupo de amigos, num “bolão”, fizera treze pontos na loteria esportiva. “Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que disseram os necrológios, sou de fato um bom sujeito”, tinha escrito anos antes, após um engano dos jornais. Foi e, desde então, sem grandes esperanças, aguardamos o retorno de textos preciosos como os dele, por mais que pudessem, muitas vezes, ser vulgares e, quase sempre, exagerados. Afinal, como dizia, “o artista tem de ser gênio para alguns e imbecil para outros; se puder ser imbecil para todos, melhor ainda”.

"Eis o que nem Joyce, nem Sônia sabiam: Paulo e Carlos eram agoram amicíssimos. Ambos estavam descontentes com as suas respectivas bem-amadas; foi isso, justamente, que os aproximou. Passaram a ter conversas diárias. Mais moço e menos controlado, Carlos inclinava-se a toda sorte de confidências. Só uma coisa o retinha: a suspeita de que Paulo pudesse cultivar um romance duplo, com Joyce e Sônia, simultaneamente".

Trecho de O homem proibido, Agir, 464 págs., R$ 44,90
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