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Reportagem |
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| Pasolini: Um escritor sem barreiras |
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| por Mariarosaria Fabris |
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© FLORIANO STEINER/COURTESY OF THE ACADEMY OF MOTION PICTURE ARTS AND SCIENCES AND SONY PICTURES CLASSICS |
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| Jack Nicholson como David Locke, em O passageiro, de Antonioni, filme inspirado em Pirandello |
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[continuação]
Antonioni - Cinema de idéias
Michelagelo Antonioni não se valeu muito de textos literários para seus filmes. Quando o fez, tratou-se de obras que lhe permitiram aquela mesma exploração das profundezas da superfície do mundo, que, segundo a crítica, caracterizou toda sua filmografia. Por isso, recusando o registro direto do que pretendia filmar, o cineasta esteve mais interessado em representar o incessante jogo entre a aparência e a essência que angustia o homem contemporâneo, o que o levou a traduzir em imagens idéias de Cesare Pavese e Luigi Pirandello.
Em As amigas (1954), esteve mais interessado em focalizar os ritos e as neuroses da burguesia de Turim, com seu vazio existencial, do que em reproduzir na tela as mitologias de Pavese, ligadas à infância e ao rincão natal. Assim, o desaparecimento de uma personagem, que permitirá à outra assumir sua identidade, acaba tendo uma conotação metafísica estranha à novela Tra donne sole, na qual se inspirou livremente.
Essa liberdade o fez dar vida ao que foi considerado o mais convincente Mattia Pascal do cinema, em O passageiro – profissão: repórter (1975). O repórter televisivo David Locke, ao defrontar-se com a morte de David Robertson no hotel no qual ambos estão hospedados, tem diante de si a mesma chance de mudança que a vida havia oferecido ao protagonista de O falecido Mattia Pascal, de Pirandello, quando o cadáver encontrado nas águas do moinho de sua cidadezinha natal é considerado como sendo o dele. A evasão, no entanto, revelar-se-á impossível para o personagem pirandelliano e para o protagonista de O passageiro. |
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| Mariarosaria Fabris é professora aposentada da USP. Mestre em Língua e Literatura Italiana e Doutora em Artes (Cinema), é autora de Nelson Pereira dos Santos: um olhar neorealista?(1994) e O neo-realismo cinematográfico italiano: uma leitura (1996). |
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