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Reportagem |
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| Pasolini: Um escritor sem barreiras |
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| por Mariarosaria Fabris |
[continuação]
Suicídio civil ■ Em virtude da morte fi ctícia, Mattia Pascal, em vez de ter uma nova existência como Adriano Meis, teve uma não-existência – uma morte civil, sem papéis, portanto, sem identidade –, da qual só saiu voltando a ser o que era antes. Locke, ao fazer da morte de Robertson a sua morte, ao renunciar à própria identidade para assumir a de outro, comete uma espécie de suicídio civil, porque se anula para transformar seu corpo no invólucro que deverá cumprir um destino que não é o seu.
Se Mattia Pascal, ao simular o suicídio de Adriano Meis, pôde voltar a assumir sua antiga (e verdadeira) identidade e esperar por sua “terceira, última e definitiva morte”, Locke, ao postergar a morte “oficial” de Robertson, escamoteia sua pulsão ao suicídio. É na impossibilidade de evasão total da sociedade que reside o parentesco de David Locke com Mattia Pascal. É a consciência dessa impossibilidade que leva o homem contemporâneo a desdobrar sua personalidade na trágica oposição entre o viver (espontaneidade vital) e o ver-se viver (exigências sociais). (M.F.) |
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| Mariarosaria Fabris é professora aposentada da USP. Mestre em Língua e Literatura Italiana e Doutora em Artes (Cinema), é autora de Nelson Pereira dos Santos: um olhar neorealista?(1994) e O neo-realismo cinematográfico italiano: uma leitura (1996). |
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