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Reportagem |
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| Pasolini: Um escritor sem barreiras |
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| por Mariarosaria Fabris |
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DIVULGAÇÃO |
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| Em 1911, Giuseppe De Liguoro faz a primeira adaptação da Divina Comédia, inspirando-se nas famosas ilustrações do francês Gustave Doré |
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[continuação]
Clássicos - Citações sem aspas
Dois clássicos da literatura italiana, Divina comédia – que Dante Alighieri elaborou entre 1307 e 1320 – e Os noivos, de Alessandro Manzoni (cuja versão defi nitiva data de 1840-42), foram levados várias vezes para a tela. As primeiras versões de Os noivos são de 1908, ano em que o romance foi filmado por Mario Morais e Giuseppe De Liguoro. O mesmo De Liguoro, em 1911, com Inferno, fez a primeira adaptação da Divina comédia, inspirando-se nas gravuras de Gustave Doré que a ilustravam.
É bastante comum que textos literários que estão na base de alguns filmes não sejam arrolados explicitamente nos créditos. Tratam-se de citações sem aspas e sem atribuição de autoria, que - atestam muito mais a assimilação de uma série de leituras, principalmente dos clássicos, do que uma mera apropriação.
Em Storia di una capinera (1993), à focalização da sociedade siciliana que Giovanni Verga ofereceu no romance homônimo, Franco Zeffirelli acrescentou a descrição que Manzoni fez da peste, em Os noivos. A essa mesma obra também haviam recorrido os roteiristas de um dos episódios de Boccaccio 70 (1961), dirigido por Mario Monicelli: “Renzo e Luciana” aparentemente deriva apenas do conto “L’avventura di due sposi”, de Italo Calvino. Porém, os elementos extraídos de Os noivos conferem às desventuras de um jovem casal uma conotação social bem marcada: a de uma crítica irônica à alienação imposta pelos “servos do capital” (modernos senhores de baraço e cutelo, como o Dom Rodrigo manzoniano) à classe operária. |
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| Mariarosaria Fabris é professora aposentada da USP. Mestre em Língua e Literatura Italiana e Doutora em Artes (Cinema), é autora de Nelson Pereira dos Santos: um olhar neorealista?(1994) e O neo-realismo cinematográfico italiano: uma leitura (1996). |
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