|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Reportagem |
|
|
|
 |
|
|
« 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 » |
| Pasolini: Um escritor sem barreiras |
|
| por Mariarosaria Fabris |
 |
DIVULGAÇÃO |
 |
| Cartaz de Cabíria (1914), de Giovanni Pastrone, com roteiro de Gabriele D’Annunzio |
 |
[continuação]
Cinema sonoro ■ Foi nesse novo contexto que se iniciou a colaboração de Luigi Pirandello com a nova arte. Foram mais de 40 as realizações cinematográficas (e, posteriormente, televisivas) que se inspiraram em romances, novelas, peças e argumentos originais de sua autoria. Bastaria lembrar La canzone dell’amore (1930), extraída da novela In silenzio, com a qual Giovanni Righelli inaugurava o cinema sonoro na Itália. Em anos mais recentes, em Kaos (1984), Paolo e Vittorio Taviani levaram para a tela sete das Novelas para um ano e Marco Bellocchio dirigiu Henrique IV (1983-1984), adaptação da peça homônima, e A ama de leite (2000), instigante transposição cinematográfica de uma das menos brilhantes novelas pirandellianas. Nessa, a exemplo dos irmãos Taviani, o diretor deu à transposição cinematográfica uma dimensão ideológica estranha ao original. A relação de Pirandello com o cinema, porém, foi mais ampla, pois o escritor expressou suas idéias sobre a sétima arte também em algumas entrevistas e, principalmente, no romance Si gira, transformado depois em Cadernos de Serafino Gubbio operador, em que ele se interroga sobre a desumanização do homem diante da câmera.
A presença do crítico e literato Emilio Cecchi no comando da produtora Cines, na década de 30, modificou as relações entre escritores e cinema. Ao serem envolvidos mais ativamente na realização de obras cinematográficas, os literatos deixaram de lado o constrangimento e a vergonha por trabalharem para a indústria cinematográfi ca. Nesse período, é interessante destacar a figura do escritor Mario Soldati, que, em sua colaboração com o cinema, conheceu de perto as várias fases de uma produção: foi argumentista, roteirista e diretor. Além disso, quase todas as realizações que dirigiu no início dos anos 40 baseavam-se em textos literários, o que vinha estreitar ainda mais os laços entre cinema e literatura em seu trabalho. Seu filme mais representativo foi, sem dúvida, Piccolo mondo ântico (1941), no qual adaptou a obra homônima de Antonio Fogazzaro, dandolhe existência autônoma e respeitando, ao mesmo tempo, o espírito do romance. Soldati pertencia ao grupo dos chamados calligrafi (beletristas) – dentre os quais Alberto Lattuada, Renato Castellani e Luigi Chiarini –, que realizavam filmes de técnica apurada, quase sempre de inspiração literária, o que lhes permitia não focalizar temas atuais, subtraindo-se, assim, à retórica e à banalidade do cinema fascista. |
|
« 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 » |
| Mariarosaria Fabris é professora aposentada da USP. Mestre em Língua e Literatura Italiana e Doutora em Artes (Cinema), é autora de Nelson Pereira dos Santos: um olhar neorealista?(1994) e O neo-realismo cinematográfico italiano: uma leitura (1996). |
|
|
|
|
|
|
|
|