Reportagem
  
Sobreviver à Guerra
Uma seleção de livros sobre dor, esperança, angústia e solidariedade escritos por quem viveu o conflito nas cidades bombardeadas ou nos campos de concentração e de extermínio nazistas
por Anita C. De Mello
ANNE FRANK FONDS
Anne Frank, em foto célebre de 1942
Uma lista que reúna os livros mais emocionantes escritos por aqueles que viveram o horror da Segunda Guerra Mundial e depois o relataram começa, obrigatoriamente, com a obra de uma garota judia que não sobreviveu nem sequer pensou que um dia suas anotações seriam publicadas. O diário de Anne Frank (Record) – durante muito tempo editado por aqui com o título O diário de uma jovem – é, talvez, o mais conhecido dos testemunhos da barbárie nazista.

Anne Frank (1929-1945), seus pais e a irmã, Margot, e mais quatro amigos da família, num total de oito pessoas, permaneceram quase dois anos escondidos no anexo secreto de um edifício comercial em Amsterdã. A família Frank, de origem alemã, deixara o país natal logo depois que Hitler assumiu o poder e a perseguição aos judeus se intensificou, no final da década de 30. Na Holanda, os Frank encontraram tranqüilidade, mas só por algum tempo. Na tentativa de evitar a deportação iminente, optaram pelo esconderijo, e não pela fuga. Após uma denúncia anônima, em agosto de 1944, foram presos e levados para Auschwitz. Anne e Margot tiveram de seguir pouco depois para Bergen-Belsen, onde morreriam de tifo duas semanas antes de o campo ser libertado por soldados britânicos.

Seu diário foi encontrado pelo pai, Otto Frank, único sobrevivente dos oito habitantes do anexo secreto, assim que retornou de Auschwitz, em 1945. Em diversos depoimentos, o pai contou do seu espanto ao descobrir a face da filha que desconhecia: nas páginas manuscritas, havia observações sensíveis sobre o dia-a-dia marcado por angústia e também por esperança. O diário, um presente de aniversário de 13 anos, pouco antes de se mudarem para o esconderijo, havia se transformado em amigo e confidente da garota, que o chamava de “Kitty”. Por iniciativa de Otto Frank, os papéis da filha chegaram pouco depois às mãos dos historiadores holandeses Jan Romein e Anie Romein-Verschoor. Logo o diário seria publicado, em 1947, e mereceria edições na Alemanha, na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Tornou-se ainda mais popular quando, nos anos 50, foi levado aos palcos e depois às telas do cinema em uma produção americana.
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