Cabelo
edição 12 - Março 2008
Terapia de choque
Coloração e sol não combinariam se não fossem as fórmulas de xampus, condicionadores e finalizadores com filtro solar. Cada vez mais eficazes, esses produtos protegem a cor do cabelo por mais tempo e mantêm os fios hidratados, com brilho, mesmo na praia ou na piscina
por Elisa Ayres
Fabio Salsa
Selagem térmica, queratinização, reestruturação e cicatrização são alguns dos nomes das diversas técnicas disponíveis no mercado. Embora com denominações diferentes, todas têm o mesmo princípio da cauterização.

“De fato, há poucas diferenças de um procedimento para o outro. O objetivo é sempre repor proteínas, principalmente a queratina, e selar as cutículas do cabelo por meio de uma fonte de calor como a chapinha, por exemplo,” explica o cabeleireiro Iguatemir Nascimento, do Ophicina do Cabelo, no Rio de Janeiro. Diferentemente da hidratação, que age somente na superfície do fio para combater o ressecamento, a cauterização penetra no seu interior. “As moléculas de proteínas e aminoácidos chegam até o córtex e preenchem as fissuras e as falhas da fibra capilar causadas por agressões químicas e mecânicas. A piastra serve justamente para garantir a aderência desses ativos”, diz Lysia Carmo, coordenadora técnica da NPPE. Resistência, força, elasticidade e brilho são os principais benefícios do tratamento.

Todo mundo pode?
A cauterização é recomendada principalmente para cabelo com porosidade, pontas duplas, opacidade e ressecamento excessivo, provocados em geral por processos químicos como alisamento, relaxamento, escova progressiva, descoloração e coloração.
“As químicas que alteram a forma do fio são as mais nocivas, pois removem a massa de queratina e outros nutrientes e ainda desequilibram o pH. A selagem térmica estabiliza e repõe o que foi perdido”, conta Lysia. A freqüência do tratamento depende do estado do cabelo. “Somente um profissional pode avaliar quantas seções serão necessárias, mas de forma geral recomendo a cada 15 dias, durante dois meses”, diz a coordenadora técnica. Entre uma aplicação e outra, a dica é fazer hidratações semanais no salão e em casa. “Quando os fios estão muito ressecados, não absorvem a queratina com tanta eficiência”, avisa. Vale lembrar que se o cabelo estiver extremamente danificado e quebrando com muita facilidade, a cauterização não é recomendável. Isso porque o aquecimento provocado pelo secador e pela piastra pode agredir ainda mais essa fibra já sensibilizada. “Nesse caso, além de um bom corte, o melhor é tratar apenas com fórmulas hidratantes até o cabelo ganhar mais força”, recomenda Iguatemir. O tratamento também não deve ser feito em madeixas saudáveis. “Não há sentido em repor queratina numa fibra capilar intacta. O excesso dessa proteína pode enrijecer o fio, causando sua quebra, por isso é tão fundamental a avaliação de um cabeleireiro”, explica Lysia.

Procedimento padrão
A indústria cosmética oferece diversas opções de produtos específicos para a cauterização. As fórmulas diferem entre si, mas, em geral, as técnicas de aplicação são bastante similares. O primeiro passo consiste em lavar a cabeça com um xampu de limpeza profunda. “Ele remove o acúmulo de impurezas, como resíduos de cosméticos, poluição e a própria oleosidade natural, além de abrir as cutículas do cabelo para receber o tratamento”, diz Iguatemir. A próxima etapa é a carga de queratina e de aminoácidos. “O produto deve ser aplicado mecha a mecha, respeitando uma distância de 6 cm da raiz”, recomenda Lysia. No passo seguinte, sem enxaguar os fios, o profissional usa o secador para tirar de 80 a 100% da umidade e, só então, lança mão da piastra, passando-a de três a quatro vezes em cada mecha. “A chapinha alinha e sela as cutículas, mas deve ser usada com todo cuidado. É importante a atenção à temperatura do aparelho. O limite máximo é 180º”, avisa Lysia. Quando o cabelo esfriar, basta enxaguar com água morna e aplicar as fórmulas hidratantes, o leave-in protetor e fazer um brushing. Para um resultado mais eficaz, é indicado não lavar a cabeça por dois dias.
Reconstrução personalizada
As cauterizações tradicionais se baseiam na ação reconstrutora da queratina, sempre potencializada por fonte de calor como o secador ou pela associação do mesmo com a chapinha. A Cauterização a Frio, Redken, se diferencia das convencionais por dispensar qualquer tipo de aquecimento durante o processo. “A selagem das cutículas é feita à base de pHix pHase 5.5, no caso de cabelo que apresenta danos mecânicos, ou o pHix pHase 3.5, para fios sensibilizados quimicamente”, explica Paula Dias, Redken Artist e cabeleireira do HS Team, no Rio de Janeiro. Outro diferencial é poder customizar o tratamento conforme as necessidades do fio. Sua tecnologia Chemistry System oferece quatro tipos de Shots: força, proteção da cor, suavidade e anti-frizz. Depois de fazer o diagnóstico, o cabeleireiro escolhe a melhor opção para a cliente. “Graças a esse sistema, a Cauterização a Frio não só reconstrói a fibra capilar como nutre e hidrata”, diz Paula.
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