Medo de avião? Não embarque nessa!

  Ir do Rio de Janeiro a São Paulo em quarenta e cinco minutos, cruzar o Brasil inteiro em algumas horas e chegar ao exterior também em pouco tempo. Estas são as maravilhas que o avião proporciona, encurtando distâncias e tornando as viagens muito mais confortáveis. No entanto, apesar de ser considerado o meio de transporte mais seguro que existe, tem gente que não embarca nessa de jeito nenhum. E nem adianta dizer que as chances de um carro bater ou um ônibus se acidentar são bem maiores do que as de um avião cair.

O pânico aumenta quando acontecem tragédias envolvendo as aeronaves, como o acidente com o avião da Gol que vitimou 154 pessoas que iam de Manaus para Brasília, em setembro.

- Minha irmã mora em São Paulo e a cada cinco ou seis meses vou lá visitá-la. Poderia muito bem pegar uma ponte aérea e economizar tempo mas prefiro enfrentar sete horas de estrada. Morro de medo de avião, ainda mais quando acontecem acidentes graves como esse da Gol - conta a aposentada Nice da Matta Silveira, que nunca entrou em uma aeronave.

Sentir uma certa tensão antes do embarque pode até ser comum, mas não conseguir entrar em um avião de jeito nenhum pode caracterizar um problema maior.
- É importante fazer uma diferença entre medo e fobia de avião. Sentir medo é normal, no entanto, torna-se fobia quando esse medo atinge uma intensidade que paralisa, impossibilitando o indivíduo de utilizar este meio de transporte. A fobia de avião, entre outras fobias, é uma forma de controlar a angústia delimitando a situação de perigo externo, de modo a liberar outras áreas de atuação na vida dessa pessoa. O perigo fica assim circunscrito ao avião. No entanto, tem um efeito inibidor importante e acaba restringindo a vida da pessoa - explica a psicanalista Tânia Leão Pedrozo.

Distrair-se é o melhor remédio

A jornalista Flavia Araújo morria de medo de avião, mas não deixava de viajar por causa disso. Conforme foi tendo que usar mais e mais este meio de transporte, sentiu que a tensão foi diminuindo.
- Antes de viajar, chegava a ter pesadelos, mas eu não costumava voar muito. Acho que por ter aumentado o número de vôos, fui me habituando melhor e perdendo o medo. O que mais me deixava tensa eram os barulhos, e depois fui percebendo que eram normais, faziam parte do funcionamento da aeronave. Depois que uma comissária me disse que avião foi feito para balançar, não entro mais em pânico durante pequenas turbulências - conta.

Apesar de já ter enfrentado centenas de horas de vôo, nacionais e internacionais, a empresária Luiza Brunet ainda sofre ao ter que embarcar em um avião.
- Antes da viagem checo as condições meteorológicas, e no avião, sempre peço para sentar na frente e converso com os comissários. Mesmo voando tanto, morro de medo, mas é inevitável. Se não voar, não trabalho - afirma.

Quem tem fobia deve procurar tratamento

Segundo a psicanalista Tania Pedrozo, se a pessoa não tem fobia, é fácil reverter esse quadro.
- Se o medo não a impede de viajar de avião, não se trata de fobia, e a pessoa pode tentar fazer um trabalho de reflexão onde relativiza as suas fantasias. Também pode tentar se distrair lendo, vendo um filme, conversando amenidades. Mas há pessoas que só conseguem relaxar tomando medicação. Nesse caso, só consultando um médico especialista - explica.

Agora, se a fobia é paralisante e só de pensar em embarcar em uma aeronave dá vontade de chorar, é preciso fazer um tratamento adequado.
- A fobia pode ter cura. O processo psicanalítico ajuda na medida que leva a pessoa, através da associação livre a se dar conta de suas angústias e de conflitos inconscientes. Como resultado, a pessoa vai atribuir novos significados a suas experiências e mudar sua posição subjetiva na vida - garante a psicanalista.
 
Dicas para diminuir a tensão
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