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Por João Ubaldo Ribeiro, sobre "A Casa dos Budas Ditosos"

Querida Fantástica Diva,

Eu tenho pensado nisso e creio que vocês - está bem, nós - provocamos uma pequena revolução. Os gregos antigos iam ao teatro para ver atores de máscara (hupókrates, daí "hipócrita" hoje) dizer o indizível, o que não podia ser dito. De repente, você está fazendo isso com esse espetáculo, nunca houve nada assim no teatro brasileiro e mesmo no teatro do mundo. Você está reunindo pessoas para ouvir o indizível, o que elas não dizem, na frente das outras. E, de repente, lá está tudo isso, na linguagem mais direta possível, pai junto com filha assistindo, todo tipo de parente, amigo e namorado. E não se trata de teatro marginal, mas teatro respeitável socialmente, com uma atriz respeitável, um autor acadêmico, um diretor respeitável e uma platéia respeitável, para a qual ex-presidentes levam suas esposas. Respeitável, respeitabilíssima, catarse, pois, sem precedentes no teatro mundial, digo sem medo de errar. Teatro de sacanagem sempre houve, mas no seu gueto. Assim, desta forma (nos Estados Unidos de hoje, nem pensar em encenar, nem em teatrinho de garagem em São Francisco), respeitável assim, pegando o indizível de todos e catalisando-o, never. Parabéns a você e a Domingos. Este porque resistiu à tentação da "encenação" e fez a opção caceteira na moleira do monólogo. E você porque é uma gênia. E meu texto é bom, não sou fresco para negar.