Concessão e Política:
Qual a verdadeira relação?


Deise Thomaz, Paulo Rodrigues e Rodrigo Mateus
 


Muito se discute sobre as concessões que são liberadas pelo governo para criação de novas rádios e TVs. Poucos brasileiros sabem onde vão parar estas liberações: nas mãos dos políticos. O jornalista Romilson Madeira acredita que existe uma relação muito forte entre as concessões liberadas pelo governo e a política. Segundo Madeira, desde o Governo Sarney (1985/1990), a concessão é usada como moeda de troca. " É fácil perceber isso, quando se olha quem são os detentores das atuais rádios e TVs no país". Mas, assim que o também ex-presidente Itamar Franco (1992/1995) assumiu o governo brasileiro, várias concessões também foram distribuídas por critérios políticos duvidosos.

 
   
   
 


Para o diretor da Rádio Difusora de Franca, Ricardo Pucci Pieri, com a entrada do atual Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, no comando do país, em 1995, as regras para concessão mudaram. "Não mais é o 'cacife político' que influencia tais concessões. A melhor oferta leva", opina Pieri. Pieri ressalta ainda o alto preço cobrado sobre estas concessões, dando como exemplo o caso da TV Filme de Brasi1ia, em Franca. De acordo com o diretor, a TV Filme "arrematou" a concessão para TV a cabo na cidade pagando R$ 300 mil apenas pela documentação, porém, por dificuldades financeiras, ainda não implantou o serviço. "Antes era o poder político, agora é o poder econômico que dá as cartas", finalizou Pieri.

Com as redes de TVs que transmitem sua programação em canal aberto, a relação política ainda é mais forte. As suas concessões são renovadas anualmente pelo governo. Por isso, é muito arriscado para uma emissora de TV se opor diretamente a administração pública. Por outro lado, os governantes tentam manter boas relações com as emissoras que atingem as massas que correspondem as classes sociais de A a E. A família Mesquita que está há mais de 100 anos na direção do jornal O Estado de São Paulo, jamais pleitearam a concessão de um canal de televisão por que, segundo Julio Mesquita Neto que dirigiu o jornal de 1969 a 1996, em depoimento ao livro de Juarez Bahia, "Jornal, História e Técnica", o processo é antidemocrático. "Os canais de televisão pertencem, em última análise ao governo, que pode ou não renovar a cada ano licenca para operá-los.

Uma situação como essa é incompatívei com a liberdade de expressão". Durante a década de 70 a liberdade de expressão estava comprometida com a censura. Com a falta de repercussão dos acontecimentos na imprensa, todo povo brasileiro estava carente de informações. Isto refletia que a imprensa não participava ativamente da democracia, era um elemento à parte. Atualmente isso se inverteu. A imprensa que "controla" a democracia. As mídias manipulam a informação, como a ética não existisse. Daí a pergunta, quem está manipulando quem? Qu quem está querendo ser enganado, a imprensa ou a democracia?

Informações: Revista Controvérsia

 
  Página inicial  

parcerias

 
 
 
"Não somos pescadores domingueiros, esperando o peixe. Somos agricultores, esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente"
Danilo Gandin