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Na época da Ditadura Militar (1964/1985), os presidentes Emílio
Garrastazu Médici (1969/1974) e Ernesto Geisel (1974/1979)
quase não tiveram contato com jornalistas. O último presidente
do regime, João Figueiredo (1979/ 1985), dizia que o único
problema dele em seu governo eram os jornalistas, e sempre
agia com indiferença e expressões inconvenientes durante as
entrevistas. Figueiredo, ao maltratar os repórteres, demonstrava
grande instabilidade emocional. Esta postura adotada pelo
"presidente general" revelava a face mais cruel da ditadura:
a prática da censura aos meios de comunicação e da truculência
aos profissionais realizada por meio da tortura física e psicológica.
Porém,
ao lado da repressão explícita ou implícita à imprensa, todo
o aparato dos meios de comunicação historicamente é utilizado
pela política como poderoso instrumento de perpetuação do
poder ou, em determinados períodos eleitorais, para a condução
de candidatos de forma tendenciosa em direção às suas ambições
políticas. Foi assim em 1989, quando Fernando Collor de Mello
(PRN), um jovem político desconhecido transformou-se em fenômeno
eleitoral, graças ao amplo apoio de empresas jornalísticas.
Havia mais de 82 milhões de eleitores, sendo que 72,2 milhões
votaram, totalizando 62% das intenções de voto. Nesta época,
o Jornal Nacional, da TV Globo, tinha um público estimado
em 60 milhões de telespectadores e foi o protagonista nessa
trama que culminou com a eleição de Collor. Um episódio claro
sobre as relações do jornalismo e poder refere-se ao debate
entre os candidatos Luís Inácio "Lula" da Silva (PT) e Collor.
A edição do programa jornalístico transmitido pelo Jornal
Nacional favoreceu Collor, que teve mais espaço para apresentar
suas propostas de governo. Já com Lula ocorreu o contrário.
Para o petista, a edição tendenciosa da Rede Globo foi culpada
pela sua derrota e importante para levar Collor ao poder conforme
os interesses dominantes do período.
Devido
a esses conflitos e conchavos a imprensa é tratada ora de
modo áspero e hostil, ora de forma receptiva. Nesse jogo em
busca do poder, onde predominam os interesses pessoais acima
dos coletivos, entram em cena as fontes, definição dada aos
recursos utilizados pelo profissional de comunicação para
obter informações sigilosas e úteis para divulgação das matérias.
No jargão jornalístico, elas são conhecidas como oficiais
e oficiosas e podem ser consideradas responsáveis pela elaboração
de muitas pautas e da maioria do conteúdo informativo dos
veículos da imprensa escrita e eletrônica. Com alto grau de
credibilidade, as fontes oficiais, em sua maioria são mantidas
pelo Estado, juntas comerciais, os cartórios de ofício, as
empresas, os sindicatos e as fundações que preservam algum
poder de Estado.
Os
dados que propõem são considerados verdadeiros, em razão de
serem tidos como fontes mais confiáveis. Mas essas fontes,
às vezes, se tornam enganosas para beneficiar grupos dominantes,
por corporativismo, militancia, em casos de lutas internas
pelo poder, ou para preservar interesses estratégicos e políticas
duvidosas. São capazes de sonegar informação que está em jogo
confidencial, apenas para ajudar suas empresas. Mentem por
vaidade e para se ver livre dos repórteres. Apresentando uma
pequena independência em sua relação com os repórteres, as
fontes oficiosas são ligadas a uma entidade ou indivíduo,
porém não estão autorizadas a falar em nome deles. Dentro
de uma instituição, podem expressar interesses particulares
e são protegidas pelo anonimato. Veiculam também boatos a
fim de deturpar a imagem de alguém ou interferir numa decisão
eleitoral. A partir das definições de fontes, têm-se um panorama
das relações entre o jornalismo e os poderes, sejam eles da
esfera política ou econômica. O mecanismo da produção de informações,
em que as notícias funcionam como mercadorias, que são negociadas
pelos detentores do poder, deixa claras as relações de interesse.
Sonegação
de informações
Os
jornais representam para o público leitor, a democracia formal,
mas no seu interior escondem o poder político ou econômico
que os sustentam. Por meio de apoio financeiro, esses veículos
mantêm políticos no auge e ao mesmo tempo denunciam corruptos.
As notícias são consideradas uma forma de manipulação ideológica
de grupos com poder social e político, e podem se tornar especulativas
quando querem combater alguma figura pública. O correto seria
essa notícia agir de forma a estimular um confronto de posições
políticas. Essa relação preciosa entre política e imprensa
existe apenas pelo fato de que os meios de comunicação de
massa podem influenciar os receptores na formação de opiniões,
em áreas que possuem pouco conhecimento, com notícias ideológicas
que manipulam as massas.
Os
políticos têm um certo cuidado com os meios de comunicação,
e muitos deles são donos de rádios, TV, jornais e utilizam
esses meios para obter poder e realizar troca de influências.
Um episódio exemplar, que representa uma barreira institucionalizada,
em razão da sonegação de informações a partir de uma fonte
oficial, no caso, as assessorias de imprensa, ocorreu com
a reportagem da Controvérsia durante a confecção desta matéria.
Procurada inúmeras vezes para comentar sua relação com os
meios de comunicação, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura
Municipal de Franca adiou todas as tentativas de contato.
Depois de oito ligações, ficou claro que tal assessoria se
dispõe a atender a imprensa somente quando o assunto realmente
é do seu interesse.
Ao
levantar barreiras para a entrevista com a reportér, os assessores
ocultaram dados indiretamente quando alegaram que não podiam
atender, justificando que estavam muito ocupados com reuniões
e outros assuntos. A sociedade civil é regida por quatro poderes:
a Igreja, o Estado, as Forças Armadas e a Imprensa. Esta última
instituisão veicula as informações de acordo com os interesses
em jogo e o povo acaba sendo manobrado por esses organismos
que controlam o poder instituido. Teoricamente, a Imprensa
deveria publicar somente matérias que fossem de encontro com
os reais anseios da sociedade. Entretanto, deturpa os fatos
e finge ser imparcial para defender os priviléglos dos poderosos
que a sustenta.
Informações: Revista Controvérsia
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