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O QUE A PSICOLOGIA TEM A DIZER
A
psicóloga Silvia Gisleny Martins diz que a palavra "ficar",
hoje um termo muito usado pelos adolescentes, teve seu aparecimento,
sentido de liberdade, no final da década de 80 e começo da
de 90, uma década de muito liberalismo. SiIvia fala
que o ato de "ficar" significa que o adolescente não está
pronto para assumir responsabilidades, como por exemplo namorar.
"O adolescente fica com um aqui outra ali iporque, geralmente,
ele não tem personalidade totalmente formada", diz. A psicóloga
afirma que o adolescente importa-se muito com as opiniões
externas, e muito pouco com o que aprende em casa. "Eles acham
que os pais e os irmãos são retrógrados e caretas. Isto acába
dificultando o ensinamento, principalmente a educação sexual",
opina Silvia.
Ela explica que a palavra ficar é comparada a atitudes relacionadas
com prostituição, drogas e doenças sexualmente transrnissíveis.
Silvia justifica que isto acontece porque esse hábito dos
jovens de ficar com um e com outro às vezes resulta em tragédias,
como AIDS, por exemplo, que a cada dia contamina mais pessoas.
Silvia ressalta que ficar não acontece só com os jovens. Os
adultos também têm este hábito, mas com uma grande difererça:
eles não estão em fase de formação, já têm maturidade e responsabilidade
o bastante para assumir todos os seus atos. "Ficar" já existia
mesmo antes do surgimento da modernidade, com a diferença
de que em décadas passadas a palavra tinha outro sentido.
Como exemplo, anteriormente os rapazes diferenciavam as moças
de família e as mais fáceis, dizendo que, as assanhadas eram
"moças para ficar", só para diversão. Hoje qualquer adolescente
fica com outros, sem nenhuma preocupação de ser vista como
mulher fácil. Para a psicóloga, ficar é um comportamento de
desejo e diversão. Um sentimento que vem antes da paixão,
que na maiòria das vezes não estabelece relacionamentos longos
e nem duradouros, mas que, em alguns casos, podem até se transformar
em amor.
AS
MÃES E SUAS DIFICULDADES
A
dona de casa Marília Campos, mãe de uma adolescente, diz que
o relacionamento entre os jovens muda de nomes em diferentes
épocas. Assim, há 30 anos, o nome dado a um possível relacionamento
era ficar, mas ficar no sentido de conversar, passar algumas
horas ou dias, sem ter contatos físicos. "Quando uma moça
dizia 'eu fiquei com fulano', ela queria dizer que não resultou
em namoro e que só trocaram olhares e 'xavecos'.
Hoje
o ficar é mais serio, os jovens têm relações mais íntimas
sem ao menos conhecer direito a pcssoa. Não existe aquele
compromisso e nem responsabilidades como ncontece no namoro,
diz Marília. No ficar, as adolescentes correm maiores riscos
de contágios por doenças sexualmente transmissíveis e gravidez
indesejada. "Para eles esses riscos são mais sérios, pois
se uma menina engravida ela não tem como cobrar do parceiro
nenhuma atitude. E, se casam, é um desastre, pois não houve
tempo de se conhecerom. Infelizmente, muitas vezes aquele
ou aquela jovem não são os parceiros ideais, e o casamento
fracassa por terem tomado atitudes precipitadas", afirma a
dona de casa.
O
namoro é tempo para descobertas e adaptações. "Assim, o ficar
pode comprometer irremediavelmente a vida futura dos jovens,
por falta de compromisso e responsabilidade de ambas as partes",
declara. A liberalidade sexual, passageira e imatura que há
no ficar, pode causar grandes problemas nas vidas dos jovens,
reforça Maríia. Ela afirma que namorar é mais saudável, porque
existe o fator compromisso, responsabilidade e até amor. As
entrevistas revelam que a palavra ficar tem um significado
quase igual para todos.
Pais,
especialistas e até mesmo para os adolescentes, que conhecem
estes problemas, mas mesmo assim continuam ficando. Para algumas
pessoas ficar faz parte da formação dos jovens, porque é a
partir da daí que ele poderá escolher no futuro uma pessoa
que combine com sua personalidade. O jovem, nesta fase, só
pensa em se divertir, aproveitar a vida e não se preocupa
com as conseqüências que poderão vir no futuro.
Informações: Jornal Terceira Margem
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