Planejamento Criativo

Eliane Rosetto
 


Virou moda afirmar que é necessário descobrir novos paradigmas para a Educação. Até aí tudo bem. O contra-senso é que ao mesmo tempo que se afirma isso, se propõe métodos estagnados de planejar, quando não se copia de anos anteriores ou de outras escolas ou ainda de colegas vizinhos...
A escola deve assumir seu lugar vivo, dinâmico e, como centro de intelectualidade, ter como matéria prima a Criatividade, formando uma comunidade livre para pensar e agir. Talvez para que isso ocorra, tenhamos que nos despir da "carga" de conhecimentos que carregamos, como bem retrata a historinha abaixo:

Um mestre zen convidou um de seus discípulos para o chá da tarde em sua casa. Os dois conversaram um pouco e chegou a hora do chá. O mestre começou a servir o chá na xícara do discípulo. Mesmo depois que a xícara se encheu, ele continuou servindo. A xícara transbordou e o chá foi se derramando pelo chão. Vendo isso, o discípulo disse: "Mestre, o senhor precisa parar de servir. O chá está se derramando, não está indo para a xícara." O mestre respondeu: "Muito perspicaz de sua parte. O mesmo acontece com você. Se pretende receber os meus ensinamentos, precisa primeiro esvaziar sua xícara mental".

Moral: Às vezes precisamos ser capazes de desaprender o que sabemos e que nos deixa cristalizados. Se tivermos a capacidade de esquecer temporariamente o que sabemos, nossa cabeça não ficará atravancada com respostas prontas e teremos a oportunidade de formular perguntas que saem do caminho usual para novas direções.

Novas direções: Esse é o caminho que os professores deveriam tomar. Utilizar as técnicas de planejamento sim, naquilo que for eficaz para eles próprios e não para cumprimento de tarefas burocráticas. Um planejamento bem feito facilita muito a vida do professor ao longo do ano, além de ampliar as dimensões e abordagens do que será trabalhado, mas sem abrir mão de suas potencialidades criativas. Informação, conhecimento, esforço e ousadia, rumo a novas direções... Não é um bom caminho?

 
     
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Elaboração do Plano de Ensino-Aprendizagem

Segundo Celso dos S.Vasconcellos, um plano de ensino-aprendizagem pode ser subdividido em plano de curso e plano de aula.

1. Plano de Curso

O plano de curso é a sistematização da proposta geral de trabalho do professor naquela determinada disciplina ou área de estudo, numa dada realidade. Pode ser anual ou semestral. O planejamento é um processo contínuo, porém momentos mais intensos, como os de final e início de ano, são importantes, na medida em que alterações mais substanciais podem ser elaboradas. Dentro de uma linha de trabalho interativa e libertadora, é necessário que a postura do professor diante do plano seja aberta e flexível, porém é importante esboçar no plano de curso uma visão total. Define-se uma espinha dorsal que será detalhada, complementada ou modificada no decorrer do ano. Não esqueçam que a prática de replanejar periodicamente (p.ex. bimestralmente) é interessante, desde que haja um fio condutor, para o trabalho não ser fragmentado.

Possíveis elementos do plano de curso

Dimensão Elementos
Análise da Realidade Identificação
Caracterização da Realidade Sujeitos
Objeto
Contexto
   
Projeção de Finalidades Objetivos da Escola
Objetivos Gerais da Disciplina
   
Formas de Mediação Quadro Geral de Conteúdos
Proposta Geral Metodológica
Proposta de Avaliação
Bibliografia
Integração com outras disciplinas Integração com atividades extra-classe
Normas Estabelecidas
Observações
 

2. Plano de Aula

É a proposta de trabalho do professor para uma determinada aula ou conjunto de aulas (por isto pode ser chamado também de Plano de Unidade). Corresponde ao nível de maior detalhamento e objetividade do processo de planejamento. É o "que fazer" concreto.
Muitos professores consideram que "este é o planejamento que importa mesmo", o que não deixa de revelar um profundo bom senso. Mas este plano terá maior consistência e organicidade se estiver articulado ao Plano de Curso e ao Projeto Educativo da escola.
Não planejar pode implicar em perder possibilidades de caminhos, por isso o plano de aula deve ser feito como uma necessidade do professor e não por exigência formal da coordenação ou direção.

Possíveis Elementos do Plano de Aula

Dimensão Elementos
Análise da Realidade Assunto
Necessidade
   
Projeção de Finalidades Objetivos
   
Formas de Mediação Conteúdo
Metodologia
Tempo
Recursos
Avaliação
Tarefa
   

Uma única aula (ou conjunto de aulas) pode ter este conjunto de elementos repetido várias vezes, de acordo com a necessidade e a estimativa de tempo disponível.

Para saber mais sobre objetivos

     
 

A- Objetivos gerais da educação propostos pela nova LDB

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de no 9.394/96, sancionada em 20/12/96, também conhecida como Lei Darcy Ribeiro, dispõe sobre aspectos da estrutura e do funcionamento da educação escolar no Brasil e fixa princípios gerais, disciplinando a educação escolar, vinculando-a ao mundo do trabalho e à prática social. Nesse sentido estabelece os seguintes objetivos gerais:

Educação Infantil

A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. ( artigo 29)

Ensino Fundamental (1a à 8a séries)

Tem por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
I - O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.( artigo 32 )

Ensino Médio

Final da etapa da educação básica, tem como finalidade:
I - A consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento dos estudos;
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. ( artigo35 )

B - Objetivos Gerais do Ensino Fundamental indicados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais

. compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;

. posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;

. conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; .

conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais;

. perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;

. desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania;

. conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva;

. utilizar as diferentes linguagens - verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal - como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação;

. saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos;

. questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolve-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação.

 
     

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"Não somos pescadores domingueiros, esperando o peixe. Somos agricultores, esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente"
Danilo Gandin