SONS E TONS FAZEM A ALFABETIZAÇÃO MUSICAL

Curso de Jornalismo - Universidade de Franca
 


O governo FHC, por meio de declarações do ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, alardeia o crescente aumento do número de crianças matriculadas regularmente na rede de ensino básico, passando uma imagem positiva do setor. Porém, essa afirmação é fundamentada em apenas um dado, ou seja, a quantidade de alunos atendidos. Apenas esse fator não é parametro suficiente para uma avaliação mais pormenorizada da educação no país, pois os quesitos qualidade e capacitação dos professores não são citados pelo Executivo.

 
   
   
 

O investimento na elevação do nível de ensino e em pessoal se torna um diferencial. A pré-escola da rede municipal de Franca busca esse diferencial, com aulas de musicalização a todos os alunos de suas 60 unidades. Nestas atividades, segundo a coordenadora da área, Maria Regina Rodrigues Alves Barbosa, as crianças são despertadas para o gosto pela boa música, desenvolvem a concentração auditiva e a memória musical, além de exercitarem ás primeiras noções espaciais. O projeto de musicalização na pré-escola foi implantado há oito anos, na gestão da então secretária de Educação, Cultura, Esportes e Turismo, Luiza Angela Marson Guidi. Segundo a professora Marson a idéia surgiu em suas visitas às escolas, nas quais era recebida com um número musical, apesar de a música não fazer parte do currículo. Luiza declarou ainda que acreditava que a inclusão dessa disciplina representaria um salto qualitativo no ensino, solicitando à sua assessoria que apresentasse projetos nesse sentido.

O projeto que mais se adequou à realidade de então, por sua eficiência e simplicidade, foi o de autoria da professora Alcione de Oliveira, graduada em Educação Artística e com curso técnico em música (piano). A musicalização começou a tomar forma com algumas classes-pilotos, sendo implantada e aperfeiçoada conforme era aplicada, tendo as dificuldades encontradas sido utilizadas como parametros. Aos poucos foi aumentando o número de classes atendidas até que todas as crianças da rede passassem a contar com essa disciplina em seu currículo. Hoje são 6.630 alunos matriculados nas pré-escolas municipais que têm a oportunidade de exercitar a disciplina e a concentração, que serão de utilidade nas demais áreas do ensino.

Franca é referência em todo o Estado de São Paulo, sendo a única cidade a contar com a musicalização na grade curricular da pré-escola de sua rede oficial, aplicando, antecipadamente, o item de linguagem musical recomendado pelo MEC, através da RCN (Referencial Curucular Nacional) para a Educação Infuntil em 1999.

TREINAMENTO É ROTINA

Buscando uma melhor capacitação, as professoras: recebem treinamento, com palestras e oficinas ministradas por profissionais da área musical, que periodicamente vêm à cidade trazendo as mais recentes tendências em educáção adotadas nos principais centros do país. A adoção de concurso público, desde 1995, serve como uma triagem inicial, garantindo capacitação básica desses prorlsslonals, o que não ocorria por ocasião da implantação do Projeto. No início, as professoras eram recuperadas na própria rede e recebiam um treinamento específico. O sistema de trabalho adotado desde o início é o de rodízio, ou seja, as professoras trabalham em trânsito em uma área que abrange cada uma das sete regiões da pré-escola. Cada classe tem uma aula por semana e cada professora é responsável por uma região por turno. "O trabalho, embora desgastante, é gratificante, pois as crianças demonstram uma rápida assimilação e uma evidente melhora no rendimento escolar", comenta Maria Regina.

MUSICALIZAÇÃO ABRE AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

A autora do projeto de musicalização na pré-escola municipal de Franca, Alcione Oliveira, define a musicalização como "a conscientização da criança, voltada para a boa música e para a formação de sentido crítico". Ela explica: "a intenção do projeto não é alfabetizar musicalmente, e tão pouco ensinar qualquer instrumento, mas sim levar às crianças um repertório mais crítico e com melhor sonoridade em comparação com aquele com o qual elas estão em contato diário por meio da TV." Residindo atualm nte em Curitiba (PR), professora Alcione diz torcer para que o projeto tenha continuidade, pois em sua opinião a crlança musicalizada é melhor capacitada para o exercício da lógica e da percepção, e fica menos vulnerável aos assédios da mídia.

Informações: Jornal Terceira Margem

 

 
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Danilo Gandin