VÍCIO OU SIMPLES DIVERSÃO?

Davane Marretto
 


O jogo, segundo a Enciclopédia Barsa, é um processo fundamental na socialização do indivíduo e na formação da personalidade. Para alguns autores, o jogo seria mais antigo que o trabalho. Jogo é o nome de diversas atividades fsicas ou mentais que têm por fim a recreação, embora às vezes envolvam também interesse financeiro. Os jogos são praticados segundo regras estabelecidas, apesar de serem também frequentes as modalidades determinadas por peculiaridades ou costumes locais. Acredita-se que sua origem vem de cerimônias e rituais religiosos, costumes antigos e ritos de fertilidade desde a antiguidade. Com base na sorte ou na inteligência costituem uma forma de distração e exercício mental, ao mesmo tempo de relaçao social.

 
   
   
 

Existe grande variedade de jogos: jogos de mesa, cartas, damas, dados, xadrez, bicho, loteria, bingo, e em geral se caracterizam pela utilização de fichas e ou tabuleiro. V.S.S, (que não quis se idetificar), 25 anos, jogadora compulsiva de bingo há uma ano, diz gostar mais de jogar bingo a namorar. "Tenho que mentir para meus pais e principalmente para meu namorado, digo que estou na casa de umas amigas, no outro dia, que estou no shopping e por aí vai", diz ela. A jogadora trabalha em um escritório de representação e ganha um sálario de R$150, que gasta em nove horas diárias de bingo. A partida de um jogo de bingo leva cerca de cinco rninutos, tendo um intervalo de um minuto e meio. Cada cartela é vendida por R$ 1. V.S.S joga nos terminais de computadores, onde é permitido apostar no mínimo três cartelas. Ela joga no minimo 30 cartelas. Os prêmios variam de R$ 50 à R$ 70 por partida. "As vezes perco, volto para casa sem nenhum dinheiro, mas não desanimo, vou tentando até ganhar", ressalta.

Como nos casos dos dependentes de álcool, drogas e sexo, existem grupos anônimos que ajudam as pessoas a se livrarem desse vício. Em todo o país, funcionam hoje pelo menos 17 grandes associações de ajuda com centenas de filiais nas maiores cidades. Nas reuniões se encontram pessoas de diferentes idades e classes sociais em busca de apoio mútuo para superar vícios ou comportamentos compulsivos que levaram a uma vida destrutiva e socialmente mal vista. Segundo dados da revista Veja de 24 de fevereiro de 1999, descobertas científicas recentes estão mudando a forma de entender o comportamento dos dependentes.

Até algum tempo atrás, o vício era considerado um desvio de personalidade. Mas agora cientistas estão chegando à conclusão de que a raiz do problema é muito mais biológica do que social. Tudo está relacionado com a química do cérebro, que produz uma substância chamada dopamina, para transmitir a sensação de prazer. A falta dessa substancia pode levar, em alguns casos, uma pessoa ao vício nas mesas de jogos ou à dependêneia das drogas. O jogo é legalmente proibido no país pelo artigo 50 do Código Penal. Estabelecer ou explorar jogos de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele, está vetado, segundo o código. Cacheta, buraco, truco, briga de pássaros, dados, vinte e um, chapinha, bingo, ronda, videopoquer, roleta, bilhar, carteado são algumas das modalidades de jogos existentes e que viciam muitas pessoas. Outras apenas procuram prazer e diversão. "As casas de bingo usam uma receita infalível para criar dependência", diz o psiquiatra Hermano Tavares. "A fórmula combina um jogo de azar, em que novas rodadas se sucedem rapidamente, com um ambiente fechado, onde a luz do sol nunca entra. O ritmo das apostas não deixa tempo para que o jogador calcule quanto já perdeu, o lugar fechado impede que ele se dê conta de quantas horas passou ali dentro."

Informações: Jornal Terceira Margem

 

 
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"Não somos pescadores domingueiros, esperando o peixe. Somos agricultores, esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente"
Danilo Gandin