
 
 
 

|

|


|


|

|
Antonio Candido de Mello e Souza: Rebolo e Nós
Roger Bastide: Paisagem
Lisbeth R. Gonçalves: O Grupo Santa Helena
Olívio Tavares de Araújo: Harmonia na Vida e na Obra
Lourival Gomes Machado: Rebolo na Construção do Modernismo nas Artes Plásticas
Francisco Rebolo: Registro Pessoal / Rebolo Depõe
Sérgio Milliet: 1943: A Primeira Exposição Individual de Rebolo
Mário Schenberg: Dados para um Balanço Crítico
Mário Schenberg: A Reaproximação Vital com a Natureza
Quirino da Silva: Rebolo Gonsales
Sérgio Milliet: A Inventiva dos Meios Tons de Rebolo
José Geraldo Vieira: Rebolo, Artesão
Jorge Amado: Mestre Rebolo
Arnaldo Pedroso D'Horta: Uma Nova Fonte de Criação Pictórica
Walmir Ayala: O Anel Lírico
Antonio Gonçalves: Rebolo, Santa Helena e futebol

A Presença de Rebolo na Tarefa da Construção do Modernismo nas Artes Plásticas
Saio da exposição de Rebolo e passo pelo atelier de Graciano, que ainda não abrira a sua.
Uma origem comum prende os dois artistas. Ambos nasceram, para a pintura, dez anos, no mínimo, depois de 22. Foram dos que hoje qualificamos como pós-modernistas. Mas pouca gente avalia, e se avalia não leva em consideração, quando expende juízo, o quanto tem de sacrificada uma posição no desenrolar das artes no Brasil. O sacrifício, nada misterioso, aliás, reside principalmente em corresponder à fortíssima estimulação da revolução estética sem o apoio cômodo de qualquer de suas vantagens. Pois, se hoje é hábito lançarmos os defeitos do modernismo ou, o que é mais acertado, de determinados modernistas à conta da qualidade essencialmente destrutiva da militância, ninguém se lembra de que, afinal, essa rebeldia demolidora tinha uma direção e uma razão de ser e, nelas, um motivo suficiente para rechear a criação de cada artista e de cada literato. Ao menos assim posso afirmar quanto às artes, a que insisto em me limitar. Sim, 22 destruía. Mas, destruindo, tinha um quarto de século de novidades européias que o academismo, ancorado num impressionismo de primeira hora, ignorava olimpicamente. E os primeiros puderam ganhar um ducha revigoradora só em tomando conhecimento do quanto se fizera lá fora depois de Degas. Não assusta que os quadros datados antes de 30 tenham o sabor da descoberta, a memória do apreendido recentemente, o brilho de reflexos provocados por algumas luzes mais fortes. País colonial, se queria o Brasil fazer "poesia de exportação" tinha de forçosamente importar maquinaria e petrechos técnicos. E assim foi; mas quem estiver encontrando nessas minhas afirmações o menor indício de desvalorização, não está, positivamente, me compreendendo. Afinal, foi essa maquinaria, chegada "via Santos", que começou a triturar toda a matéria-prima do Brasil desconhecido. Desde Pedro Álvares ninguém mais olhava para a terra e a terra subitamente se impõe aos olhos dos homens.
Metidos na lavra do veio do primeiro nativismo real, os modernistas esgotaram mais uma fonte, para grande sede posterior dos que iriam começar mais tarde.
Lourival Gomes Machado
Folha da Manhã, 25/10/1944

|
|
|