Antonio Candido de Mello e Souza: Rebolo e Nós
Roger Bastide: Paisagem
Lisbeth R. Gonçalves: O Grupo Santa Helena
Olívio Tavares de Araújo: Harmonia na Vida e na Obra
Lourival Gomes Machado: Rebolo na Construção do Modernismo nas Artes Plásticas
Francisco Rebolo: Registro Pessoal / Rebolo Depõe
Sérgio Milliet: 1943: A Primeira Exposição Individual de Rebolo
Mário Schenberg: Dados para um Balanço Crítico
Mário Schenberg: A Reaproximação Vital com a Natureza
Quirino da Silva: Rebolo Gonsales
Sérgio Milliet: A Inventiva dos Meios Tons de Rebolo
José Geraldo Vieira: Rebolo, Artesão
Jorge Amado: Mestre Rebolo
Arnaldo Pedroso D'Horta: Uma Nova Fonte de Criação Pictórica
Walmir Ayala: O Anel Lírico
Antonio Gonçalves: Rebolo, Santa Helena e futebol


O Grupo Santa Helena

A década de 30 foi o palco de importantes acontecimentos na história do Modernismo brasileiro, em seqüência ao estopim revolucionário lançado em 1922, com a Semana de Arte Moderna. A partir da contestação dos anos 20 e do entrechoque de concepções estéticas a que estavam afeitos os vários movimentos que surgiram entre 1930 e 1940, processava-se a formação da base humana para a efetiva implantação do Modernismo no Brasil.
A SPAM - Sociedade Pró Arte Moderna - e o CAM - Clube dos Artistas Modernos -, ambos em fins de 1932; bem como os Salões de Maio e a Família Artística Paulista, em 1937, todos promovendo exposições coletivas, vieram aproximar os artistas plásticos emergidos de 22 daqueles que vinham surgindo e se tornando permeáveis aos influxos modernos.
O Grupo Santa Helena nunca chegou a realizar uma exposição enquanto tal, durante o período em que esteve constituído, mas foi um dos que colaborou, efetivamente, nesse quadro geral. Foi ele o núcleo da Família Artística Paulista, tendo também alguns de seus membros participado do II e III Salões de Maio e das exposições do Sindicato dos Artistas Plásticos.
Sua formação tem início em 1935, com o ateliê montado por Francisco Rebolo Gonsales na sala 231 do Palacete Santa Helena, na Praça da Sé. Dá-se, logo depois, a vinda de Mário Zanini, a princípio partilhando a sala com Rebolo e, mais tarde, passando para uma outra, junto com Clóvis Graciano e Manoel Martins já em 1937). Ainda em 1935, Aldo Bonadei e Fúlvio Pennacchi instalam-se no Santa Helena e Alfredo Volpi passa a vir desenhar modelo vivo, participando igualmente as mudanças pelos arrabaldes da cidade e, enquanto pintavam as paisagens hoje tão disputadas. Logo depois, entre 1936 e 1937, Humberto Rosa, Clóvis. Graciano, Manoel Martins e Alfredo Rullo Rizzotti completam o Grupo.
E interessante que tenhamos em mente suas obras e suas condições de trabalho, na época, para acompanharmos a evolução de seus processos de criação, após a dissolução do Grupo e a quebra do convívio diário. Depois de quase 40 anos dos primórdios do Grupo Santa Helena, a dedicação dos pintores que o compuseram teve como resultante tornarem-se eles grandes expressões da moderna pintura brasileira, cujo valor vem se tomando cada vez mais compreendido e reconhecido.

Lisbeth R. Gonçalves
(excerto da apresentação da mostra do Grupo, na Galeria Uirapuru, 1973)