Nos tempos
da era Leomar


Valdelis Gubiã Antunes, do FutebolPR
 
Leomar: estigmatizado como Dunga. (Foto: FutebolPR)

CURITIBA - O volante Leomar foi revelado nas categorias de base do Atlético no final dos anos 80 e teve o ápice da sua carreira quando chegou à Seleção Brasileira, em 2001. No Rubro-negro, ele conheceu três fases distintas. Começou antes da era Petraglia, passou dentro do clube durante o início da revolução em 1995 e voltou em 2003, quando já havia a Arena da Baixada, o CT do Caju e o título de campeão brasileiro de 2001. "Quando comecei, a Baixada era só um campo que usávamos para treinar. Em 2003, já era este Atlético que conhecemos hoje", conta Leomar.

Nascido em Marechal Cândido Rondon, no interior do Paraná, o volante veio adolescente para Curitiba. Na época, treinava numa escolinha da cidade quando foi descoberto pelo técnico Milton do Ó, pai do zagueiro Milton do Ó, ex-Paraná e Atlético. O treinador o indicou para o Atlético, onde passou nos testes e ficou. O volante é da mesma geração de Paulo Rink e Alex Lopes, também forjados no Rubro-negro.

Em 1991, teve rápida passagem pelo Iguaçu de União da Vitória, onde foi profissionalizado. No Atlético, passou maus bocados viajando pelo Brasil disputando a Segunda Divisão contra Barra do Garça e congêneres. "Foram três anos de angústia brigando para subir", relembra Leomar. Até que em 1995 o Atlético venceu a Série B do Campeonato Brasileiro. "Vencer a Série B foi bom demais. Foi bem numa época que começava a ascensão do Atlético. Começava o projeto da construção do novo estádio. Para o Atlético foi de suma importância voltar à Série A. Para mim foi realmente o meu título mais importante", avalia o ex-jogador.

Se no final de 1995 o Atlético foi campeão da Série B e conseguiu voltar à Série A, no 1.º semestre daquele ano o Furacão sofreu um revés histórico: foi goleado pelo maior rival, o Coritiba, por 5 x 1. "Tomar aquela goleada não foi bom, mas foi a partir dela que ocorreu a revolução atleticana. De lá para cá o Atlético se transformou em um grande clube", observa Leomar.

Seleção

Em 2001, já com 30 anos, Leomar e o Brasil foram surpreendidos com a sua convocação para a Seleção Brasileira. Na época, o técnico era Emerson Leão, que já o treinara no Atlético e no Sport. "Trabalhei com o Leão no Atlético em 1996. No Sport trabalhei com ele em 2000. Ganhamos o estadual e ficamos em quinto lugar na Copa João Havelange. Acredito que deste bom campeonato ele pegou a confiança em mim e me convocou para a Seleção", explica Leomar.

À exemplo da "era Dunga" em 1990, a imprensa cunhou este período como "era Leomar", dando um sentido pejorativo à sua passagem e a de Leão pela Seleção. "A imprensa criticou justamente pela idade. Eu já estava com 30 anos, e trabalhando num time lá do nordeste, que muitos não consideram. A maioria é só Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Mas crítica todo mundo faz. O importante para mim foi ter servido a Seleção e o Leão ter me dado esta oportunidade", agradece.

Ao todo, Leomar disputou cinco jogos pelo Brasil - um pelas eliminatórias e os outros pela Copa das Confederações. "Foi numa época de muita turbulência dentro da Seleção. Classificava ou não classificava para a Copa do Mundo. As eliminatórias foram muito complicadas. Mas para mim valeu ter vestido a camisa amarela", recorda.

Antes, ele já havia estado na pré-lista de uma Seleção Sub-20, em 1990. "Desde que você começa a jogar, você tem este sonho de servir a Seleção. Mas eu não tinha mais este sonho. Com 30 anos, é difícil alguém ir para a Seleção. Poucos jogadores chegam lá com esta idade. De cabeça, só lembro o Zé Carlos, em 1998", diz Leomar.

Aposentadoria

Para Leomar, seu grande momento foi no Sport, quando teve um seqüência de títulos de 1996 a 2001. Foi tetracampeão pernambucano e ainda ganhou duas Copas do Nordeste. Mas a série de triunfos foi intercalada por uma cirurgia de joelho, em 1997, que o afastou por cinco meses. Em 2005, outra lesão - desta vez, no tornozelo direito. Na época, ele atuava pelo Operário de Ponta Grossa. Ainda chegou no ano seguinte a atuar pelo CSA de Alagoas. "Estava sentido que forçava muito, tendo que tomar medicamentos para poder jogar. Então achei melhor encerrar", revela Leomar.

Após parar profissionalmente, o volante seguiu no futebol amador de Curitiba vestindo a camisa do Trieste. Nesta temporada, transferiu-se para o Iguaçu de Santa Felicidade. "Treino terças e quintas à noite e jogo nos fins de semana. O interessante é o companheirismo que você faz, os amigos que você faz. Jogador nunca vai parar a carreira e encerrar de repente", conta.

Além disso, Leomar comanda junto com Rudimar, ex-jogador do Coritiba, um projeto social patrocinado pela Rodolatina - uma dos maiores transportadores brasileiros de cimento a granel. Os dois ex-atletas treinam 80 garotos no campo do Ypiranga, no bairro Fazendinha, em Curitiba. "Eu trabalho com aperfeiçoamento de atletas. Está sendo muito bom. Estamos tirando meninos da rua e colocando na escolinha. Eu passo um pouco da minha experiência acumulada em 20 anos de futebol", diz.

Treinando garotos Leomar vai fazendo o vestibular para virar técnico. "Eu tenho a pretensão de ser treinador. Quem sabe daqui uns cinco anos. Por enquanto, quero pegar experiência nesta área", avisa Leomar, que cita exemplos: "Émerson Leão, Hélio dos Anjos, Levir Culpi e Vanderlei Luxemburgo são treinadores de grande porte, quais eu me espelho para seguir uma carreira de treinador", avalia.

Leomar

Nome: Leomar Leiria
Data e local de nascimento: 26/6/1971, em Marechal Candido Rondon-PR
Clubes onde atuou: Atlético (1988 a 1990, 1992 a 1996 e 2003), Iguaçu-PR (1991), Sport-PE (1996 a 1999 e 2000 a 2001), Botafogo (1999), Shonbuk Hyundai-Coréia do Sul (2002), Náutico (2004), Operário-PR (2005) e CSA-AL (2006)
Títulos: Campeonato Paranaense da 2.ª Divisão (1991), Campeonato Brasileiro da Série B (1995), Campeonato Pernambucano (1997, 1998, 1999, 2000 e 2004) Copa do Nordeste (1998 e 2000)







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