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A História da Praça João Pessoa
A Praça João Pessoa já foi um espaço de lazer e de histórias interessantes. No local, eram comuns, todos os domingos, a realização de retretas
Apresentações de bandas, geralmente militares, que reuniam pessoas de todos os bairros da cidade. Na década de 20, foi palco de uma tragédia que pode ser comparada ao drama relatado na peça "Romeu e Julieta", de William Shakespeare. 

    Por conta da proximidade com os prédios dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado, sempre é procurada para mobilizações populares. No dia-a-dia, a praça é, democraticamente, ocupada por skatistas, casais de namorados e, principalmente, aposentados. Os últimos se reúnem para conversar sobre esporte, política, religião e o que for aparecendo. 
    No final da década de 50 morava existia um bonde que seguia para o local, levando pessoas que queriam participar das famosas retretas aos domingos para. Não havia televisão e esta era uma das principais formas de lazer. O local era freqüentado por muita gente da cidade inteira e de todas as classes sociais, inclusive da alta sociedade.
    A Praça João Pessoa também é conhecida como Praça dos Três Poderes por ficar no centro dos prédios históricos onde funcionam a Assembléia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Palácio do Governo. O monumento que existe no centro dela foi instalado em 8 de setembro de 1933, com a presença do então Presidente da República Getúlio Vargas, e representa o movimento revolucionário da década de 30. Antes disso, ela passou por três grandes reformas - em 1892, 1903 e 1913. 
    A Praça de João Pessoa, durante décadas, correspondeu ao Jardim Público da capital, construído por etapas, segundo historiadores. Entre 1879 e 1881, foram plantadas as palmeiras, levantado um muro e colocado um gradil. Em 1889, foram postos os bancos e, no centro, o primeiro de vários coretos construídos ali até a instalação do monumento atual.
    Ao contrário do que se observa hoje, o Jardim era cercado por gradis de ferro. Somente a alta sociedade podia cruzar um dos quatro portões trancados a chave por um zelador. No início do século XX já eram freqüentes as retretas. Havia a divisão de classes. A alta sociedade sempre ficava em círculo ao redor do coreto, os funcionários públicos (representando a classe média) vinham em seguida e, por último, os estudantes. O povo ficava do lado de fora das grades de ferro.
    Grades foram retiradas na administração de João Pessoa (1928 -1930). A praça, então, passou a ser freqüentada por um grande público. O ato do então presidente do Estado (denominação utilizado na época) teve um grande valor simbólico. Populista, João Pessoa possibilitou que as massas invadissem o Jardim, "extrapolando antigos limites espaciais em busca da cidadania". Vem deste tempo o hábito de realizar mobilizações no local. Os pioneiros da tradição foram os oradores da Aliança Liberal que utilizam o coreto como tribuna para defender os seus posicionamentos.
    José Octávio de Arruda Mello destaca que a praça teve uma importância tão grande para a vida social e recreativa da capital que, em 1914, o presidente da Parahyba, Castro Pinto, enviou uma mensagem para a Assembléia Legislativa, comentando as suas realizações, e deu destaque à reforma que fez no local, apresentado por ele como um dos "logradouros mais aprazíveis do norte do Brasil". A opinião de quem freqüenta a praça continua sendo a mesma.
    A Praça João Pessoa, em 1921, foi palco de uma tragédia que abalou toda a sociedade paraibana e que resultou na morte de dois jovens, alunos da Escola Normal (hoje Tribunal de Justiça) e do Lyceu Paraibano. Na primeira, só estudavam meninas. Os alunos dos dois colégios não podiam se encontrar. Para um maior controle, foi estabelecida a "linha da decência", uma invenção do diretor do Lyceu, o Monsenhor Milanez. Ninguém podia atravessá-la sob pena de sofrer punições.
    O problema é que Ágaba Medeiros e Sady Cabral, ambos de famílias influentes, começaram um relacionamento. O rapaz atravessou a linha imaginária e recebeu o alerta para não mais fazer aquilo. O aviso foi em vão e em setembro de 1921, ao desobedecer às regras, Sady iniciou uma discussão com o policial responsável pela "manutenção da ordem" na Escola Normal, que acabou disparando um tiro fatal no estudante. Deprimida, Ágaba se suicidou cerca de dez dias depois. Por serem de famílias importantes, a morte deles provocou a queda do diretor do Lyceu e quase resultou na deposição do prefeito da capital, Solon de Lucena.


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