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A Praça de João Pessoa
Contam
os Historiadores, que a
Praça de João Pessoa, por muito tempo, foi o Jardim Público da capital,
que recebeu as primeiras palmeiras no seu solo por volta dos anos de
1880. De acordo com levantamentos Históricos, o espaço foi cercado
por um muro com grade e na mesma década começou receber os primeiros
bancos para que o público sentasse de forma confortável e pudesse
ouvir as bandas que tocavam nos coretos construídos no
centro.
Naquela época, o jardim, que era cercado por gradis de ferro, só
recebia ilustres visitantes da alta sociedade, pois os quatro portões
eram trancados a
chave por um zelador, mas com o passar dos anos isso foi mudando. No início do século XX já eram
freqüentes as retretas. Havia a divisão de classes. A alta
sociedade sempre ficava em círculo ao redor do coreto, os funcionários
públicos (representando a classe média) vinham em seguida
e, por último, os estudantes. O povo ficava do lado de fora das
grades de ferro.
Em 1921, foi palco de uma tragédia que abalou toda a sociedade
paraibana. A morte do casal de jovens, Ágaba Medeiros e Sady
Cabral, que eram alunos da Escola Normal (hoje Tribunal de Justiça)
e do Lyceu Paraibano abalou a sociedade.
Os alunos dos dois colégios
não podiam se encontrar. Para um maior controle, foi estabelecida
a "linha da decência", uma invenção do diretor do Lyceu,
o Monsenhor Milanez. Ninguém podia atravessá-la sob pena
de sofrer punições. O problema é
que os jovens ambos de famílias influentes,
começaram um relacionamento. O rapaz atravessou a linha imaginária
e recebeu o alerta para não mais fazer aquilo. O aviso foi em vão
e em setembro de 1921, ao desobedecer às regras, Sady iniciou uma
discussão com o policial responsável pela "manutenção
da ordem" na Escola Normal, que acabou disparando um tiro fatal no estudante.
Deprimida, Ágaba se suicidou cerca de dez dias depois. Por serem
de famílias importantes, a morte deles provocou a queda do diretor
do Lyceu e quase resultou na deposição do prefeito da capital,
Solon de Lucena.
Passados esses traumas, em 1930, as grades foram
retiradas pelo presidente do Estado (denominação utilizado na época), "João Pessoa",
e com isso a praça passou a ser freqüentada por um grande
público.
O ato teve um grande valor simbólico-populista, e fez
com que João Pessoa abrisse, de modo definitivo, os portões
do Jardim, liberando o espaço para o "Povão".
Com esse passo, o local passou a receber mobilizações,
passeatas, e de certa forma, o povo começou a utilizar o coreto como
tribuna para defender os seus posicionamentos.
Na época, o presidente
da Parahyba, Castro Pinto, enviou uma mensagem para a Assembléia
Legislativa, comentando as realizações, e deu destaque
à reforma do local, apresentado por ele como um dos "logradouros mais
aprazíveis do norte do Brasil".
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