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Conheça a verdadeira inspiração do icônico cartaz que é símbolo do feminismo

Naomi Parker só foi reconhecida oficialmente como a modelo que deu origem ao cartaz aos 93 anos de idade, porém a intenção inicial da ilustração não era o empoderamento feminino


A foto que originou o cartaz foi clicada em 1942, na Base Aeronaval de Alameda, na Califórnia - Foto: Reprodução
A foto que originou o cartaz foi clicada em 1942, na Base Aeronaval de Alameda, na Califórnia - Foto: Reprodução

Poucos conhecem esta foto (acima), mas ela possui um significado único para a história do feminismo e do empoderamento da mulher. Ela mostra Naomi Parker-Fraley, a garota que deu origem ao icônico cartaz com uma jovem cruzando o braço e usando uma bandana vermelha, criado na década de 1940, para incentivar as mulheres a trabalharem durante a 2ª Guerra. Curiosamente, ela só foi identificada como o verdadeiro rosto do cartaz no final de sua vida, em 2015. Naomi faleceu no início deste ano, aos 96 anos.

Após décadas sem ser reconhecida oficialmente como a mulher que inspirou a emblemática propaganda, ela foi confirmada depois de uma longa pesquisa do acadêmico James Kimble. Ele encontrou a foto original usada pelo artista J. Howard Miller para desenhar o cartaz com o verdadeiro nome da operária escrito no verso, com os seguintes dizeres "A bela Naomi Parker parece capaz de tocar o nariz no torno que está utilizando". Na imagem estava a jovem com um macacão azul e a icônica bandana vermelha com bolinhas brancas em sua cabeça. Até então, Geraldine Hoff Doyle, falecida em 2010, era tratada com o "rosto oficial" do cartaz.

A foto que originou o cartaz foi clicada em 24 de março de 1942, na Base Aeronaval de Alameda, na Califórnia. Haviam poucos dias que Naomi, então com 20 anos, tinha sido transferida da sua função inicial de garçonete para atuar dentro da fábrica de aviões. Junto com ela, também trabalhava sua irmã Ada, com 18 anos. Ambas haviam se voluntariado para atuarem em fábricas para a produção de itens de guerra após o ataque à Pearl Harbour.

Apelidado de "Rosie the Riveter" (Rose, a Rebitadora; em português), em homenagem à uma famosa música de mesmo nome que enaltece o trabalho das operárias durante a Guerra, o cartaz foi criado para ser o símbolo do movimento Pró-Guerra. O objetivo inicial era incentivar as mulheres a trabalharem intensamente nas fábricas para compensarem a escassez da mão de obra masculina, que lutava na Europa e Ásia. Juntamente com a imagem veio a celebre frase "We can do it" (Nós podemos fazer isso, em português).

Apenas nos anos 1980, após a imagem ser redescoberta que ela ganhou o atual simbolismo do empoderamento feminino. Inegável que para os anos 1940, as mulheres trabalharem em fábricas e terem autonomia significou um grande avanço, mas inicialmente o cartaz visava apenas incentivá-las a aumentarem a produção. Nada como se reinventar!

O cartaz foi criado pelo movimento Pró-Guerra, mas se transformou no símbolo do movimento feminista - Foto: J. Howard Miller
O cartaz foi criado pelo movimento Pró-Guerra, mas se transformou no símbolo do movimento feminista - Foto: J. Howard Miller

Thiago L



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