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Conheça o povo de Hunza que afirma viver mais de 100 anos

Durante décadas, os Hunzas ganharam fama mundial por ultrapassarem a barreira dos 100 anos de idade e aparentarem muito menos. Recentemente, descobriram o verdadeiro segredo do "Poço da Juventude"


Isolados do mundo, os Hunzas deram origem as mais diversas teorias de como chegavam aos 100 anos de idade - Foto: Seth Lazar
Isolados do mundo, os Hunzas deram origem as mais diversas teorias de como chegavam aos 100 anos de idade - Foto: Seth Lazar

Já pensou em viver mais de um século e ainda manter um rostinho de 30 anos? Parece impossível, porém o povo de Hunza, conhecido como dono do "Poço da Juventude", afirma viver até os 120 anos. Desde 1916, quando o vilarejo com aproximadamente 30 mil habitantes foi descoberto por militares ingleses que mapeavam a região do Vale de Hunza, nas montanhas do Himalaia, eles ganharam as manchetes dos jornais pelo feito incrível.

Porém, esta história que já dura mais de 100 anos é verdadeira? Nas contas do calendário adotado pelo povo Hunza é possível, mas quando usamos o calendário gregoriano surgem as controvérsias, que transformaram a região num famoso destino turístico na Ásia.

O mito sobre a curiosa população que vivia mais de um século teve início quando o médico escocês Robert McCarrison foi à região realizar consultas com alguns moradores locais, que jamais haviam sido atendidos por um clínico. Após cada atendimento, ele se surpreendia com apenas um dado dos novos pacientes, a idade. Pessoas com rostos e corpos jovens afirmavam ter ultrapassado as 50 primaveras e prováveis cinquentões diziam que já eram octogenários. Surpreso, o médico perguntou qual era o segredo e a resposta sempre era o estilo de vida e a alimentação.

Isolados do mundo a mais de 2,5 mil metros de altitude, nas montanhas do Kush Hindu, o povo de Hunza deu origem as mais diversas teorias por ultrapassarem um século de vida, porém nenhuma delas suspeitava que o grande segredo era outro. Na época, entre as hipóteses que surgiram para justificar a idade avançada da população estava a alimentação baseada em cereais integrais, verduras e queijo de ovelha. Já as carnes só eram consumidas durante o inverno, em quantidades limitadas. Tudo isso, sem passar por nenhum processo industrial ou uso de pesticidas. Outra teoria da época afirmava que as baixíssimas temperaturas também interferiam para aumentar a expectativa de vida dos Hunzas.

Apenas há alguns anos que esta confusão começou a ser explicada com a visita de um jornalista à região. Ele notou que a idade da população não condizia com o período de fatos históricos que eles deveriam ter presenciado. Além disso, nenhum deles possuía a data de nascimento registrada em documentos oficiais. Com estas duas negativas, a teoria mais aceita passou a ser que toda a confusão foi criada pela falta de noção do tempo do povo de Hunza. Como não seguem o calendário gregoriano, eles afirmavam ao médico a idade que ´acreditavam´ ser a verdadeira. Mesmo com todos os indícios de ser uma grande confusão, a população em Hunza ainda afirma ter 80 anos com corpinho de 40 primaveras.

Se a incrível história da população centenária já é o suficiente para atrair turistas de todas as partes do mundo para conhecerem o local, as belezas naturais não deixam dúvidas que a região do Himalaia é o lugar perfeito para uma viagem inesquecível. Localizado na Caxemira, que é disputada por Índia e Paquistão, o Vale de Hunza possui uma infraestrutura turística simples, mas acolhedora. Recentemente, a região foi eleita pelo jornal "The Guardian" como um dos melhores destinos turísticos do Paquistão.

Como chegar

Com voos saindo de São Paulo rumo ao aeroporto de Islamabad, capital do Paquistão, as passagens aéreas custam a partir de R$ 6.570. O percurso entre Islamabad e Gilgit, cidade mais próxima ao Vale do Hunza, pode ser feito via terrestre ou aérea.

Saindo de Gilgit rumo ao "Poço da Juventude" existe apenas a opção de seguir o trajeto pela rodovia Karakoram, que é a estrada pavimentada mais alta do mundo. Ela liga a região de Xinjiang, na China, à Gilgit-Baltistan, no Paquistão.

Com excelentes preços, os hotéis públicos (únicos na região!) oferecem o necessário para uma estadia, mas contam com uma vista incrível do topo das montanhas. Do alto delas também é possível avistar o famoso rio Hunza, que deu nome a região e ao povo, com suas águas azuis-turquesa oriundas do degelo do Himalaia.

Mapa

Thiago L



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