Praias

Estrada nos Andes bolivianos é a mais perigosa do mundo

Considerada a mais mortal do mundo, a rodovia foi apelidada de "Estrada da morte" e é cortada, literalmente, por algumas cachoeiras


O “Camino a los Yungas” possui 64 quilômetros de curvas sinuosas, desfiladeiros e pistas estreitas - Foto: Juan Felix Martins
O “Camino a los Yungas” possui 64 quilômetros de curvas sinuosas, desfiladeiros e pistas estreitas - Foto: Juan Felix Martins

Quem já reclamou das péssimas condições das rodovias brasileiras é porque ainda não conhece o Camino a los Yungas, a estrada mais perigosa do mundo, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Localizada na Bolívia, na região de Yungas, a rodovia possui 64 quilômetros de curvas sinuosas, desfiladeiros sem grades de proteção e pistas estreitas. Tudo isso, sempre acompanhado de uma constante chuva fina, que deixa a superfície ainda mais escorregadia.

Apelidada de "Estrada da morte" devido ao grande número de acidentes fatais no local, a rodovia liga a região de La Cumbre, a cinco mil metros de altitude, à Yungas, na planície boliviana. Construída durante a década de 1930 por presos paraguaios, ela foi projetada para pouco tráfego e, principalmente, para os veículos leves e pequenos daquela época. Numa tentativa de resolver o problema, em 2007, o governo boliviano construiu uma nova ligação terrestre e totalmente asfaltada entre as regiões, mas os motoristas continuaram optando pela antiga rota, por ser considerada muito mais rápida.

De todo o percurso da antiga rodovia, apenas um trecho de 20 quilômetros é asfaltado. Já os outros 44 quilômetros são de terra batida, buracos e quase sempre molhados. Para complicar o que já é difícil, a região montanhosa é famosa por sua forte neblina que atinge a localidade diariamente, dificultando ainda mais a visibilidade dos motoristas. Aumentando um pouco mais a emoção e o perigo, a estrada é cortada por algumas cachoeiras, que literalmente, desaguam sobre a pista. Já quando o motorista quase chega ao topo, ao invés da situação melhorar, ela piora! Devido ao ar rarefeito, os motores dos veículos falham com frequência pela dificuldade em realizar a combustão. Com uma estrada assim, as rodovias brasileiras são quase um paraíso!

Achou que os problemas terminaram? A situação complica mais. Como a pista é estreita e não há barreiras de proteção, por falta de espaço, os veículos andam lado a lado a precipícios com mais de 600 metros de altura. Se a mortal estrada surpreende pela falta de segurança aos motoristas, as suas "regras próprias" são ainda mais peculiares.

Em muitos trechos só é possível trafegar um veículo por vez e quando dois carros se encontram, alguém precisa dar ré. Para esta situação, a regra local determina que o motorista que estiver descendo voltará de ré até algum trecho da estrada que comporte ambos os veículos. Outra curiosa norma do trânsito local é a mão invertida do trafego. Por questões de segurança, os veículos percorrem pelo lado oposto facilitando a visão de quem está subindo.

Com tantos problemas, a consequência é o altíssimo índice de acidentes fatais na estrada, em grande maioria de veículos que despencam nos precipícios. Por ano, morrem aproximadamente 250 pessoas. São tantas vidas perdidas no percurso, que é raro passar muitos metros na estrada sem encontrar uma cruz sinalizando uma morte naquele trecho.

Pior acidente da Bolívia

Entre incontáveis acidentes na "Estrada da morte", um deles é o mais famoso da Bolívia. Em 1983, o Camino a los Yungas foi palco da maior tragédia numa rodovia do país. Um ônibus, com mais de 100 passageiros, não conseguiu fazer uma curva corretamente e despencou num desfiladeiro com 300 metros de altura. Todos os ocupantes do ônibus morreram na queda. Ainda hoje é permitido trafegar caminhões e ônibus pela estrada.

Thiago L



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