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Há 100 anos era comum crianças serem enviadas pelo correio

Nos Estados Unidos, dezenas de crianças e bebês foram postados no correio - com direito a selo - para serem entregues à parentes distantes


O primeiro caso aconteceu em 1913 e envolveu um bebê de apenas oito meses - Foto: National Postal Museum
O primeiro caso aconteceu em 1913 e envolveu um bebê de apenas oito meses - Foto: National Postal Museum

Quem já viajou com uma criança de ônibus ou avião sabe da burocracia necessária para embarcá-la, mas no passado era bem diferente. A falta de regulamentação do setor era tão grande que no começo do século XX, dezenas de bebês e crianças foram despachados, literalmente, pelo correio nos Estados Unidos. Nos dias atuais, a ideia absurda, provavelmente, levaria os pais à prisão por maus tratos, mas no passado isso não aconteceu.

O primeiro caso aconteceu em 1913 e envolveu um bebê de apenas oito meses de idade. O casal Mathilda Beagle e Jesse queria apresentar seu novo filho, James, aos avós numa cidade próxima, mas não tinham como irem com a criança até a localidade por falta de dinheiro. A solução encontrada mais econômica foi enviar o bebê pelo correio até o destino desejado.

A ideia surreal surpreendeu o carteiro, que foi obrigado a aceitar a "encomenda" por falta de legislação que proibisse o transporte humano através do sistema de correio. Assim como era realizado com outras encomendas, a criança foi pesada e recebeu a quantidade de selos - na roupa - conforme seu peso, que estava dentro do limite imposto pela empresa. O preço final foi de 15 cents, valor muito inferior ao de uma passagem de trem para a criança. Ao final da viagem, o pequeno James chegou bem à casa dos avós.

Rapidamente, a ideia absurda se espalhou pelos Estados Unidos e outros pais também enviaram seus filhos via correio para várias localidades do país. Um dos casos mais emblemáticos de envio de crianças "por malote" aconteceu em 1914 e estampou a capa de diversos jornais da época. A pequena May Pierstorff, de apenas cinco anos, foi despachada pelo correio também rumo à casa dos avós. A criança viajou por aproximadamente 120 quilômetros, entre as cidades de Grangeville e Lewiston, no compartimento de cargas de um trem. A viagem custou apenas 53 cents, menos de 20% do valor de uma passagem no mesmo trem. Assim como em todas as outras situações semelhantes, a criança foi entregue sã e salva aos parentes.

No final de 1914, o envio de crianças havia crescido muito e o governo norte-americano decidiu agir. Junto a isso, a repercussão negativa na mídia do caso da pequena May Pierstorff foi o estopim para a proibição do transporte de crianças via correio. Porém, somente no ano seguinte, em 1915, que a postagem de humanos chegou ao fim nos Estados Unidos.

Thiago L



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