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Araçá é o fruto do araçazeiro, arbusto da família das mirtáceas, muito encontrado na região de Visconde de Mauá, município de Resende, estado do Rio de Janeiro.
A especulação imobiliária proveniente do crescimento desordenado do turismo na região, aliado à exploração agropecuária, tem gerado cortes e queimadas significativas do araçazeiro.
A madeira do araçazeiro, apesar de resistente, é pouco espessa e retorcida, o que dificulta o seu emprego na construção civil.
O desperdício e a abundância desse material de boa qualidade (que tratado como lixo, vem entupindo, aquecendo e poluindo nosso planeta), inspirou o trabalho de criação dos objetos Araçá.
Araçá é fruto da parceria criativa da dupla Roberto Granja e Balbino França.
Roberto Granja nasceu carioca da gema e viveu em Ipanema, descobrindo cedo o que queria ser na vida: artista plástico. Aos 19 anos foi estudar pintura no Instituto Belas Artes (hoje atual Escola de Artes Visuais do Parque Laje). Os anos de experiências e caminhos consolidados no mercado da cidade grande, não evitaram que descobrisse outra vocação: a vida simples na zona rural. E se estabelece em Visconde de Mauá, região serrana no interior do Rio de Janeiro. Essa fase de sua pintura é a síntese de duas décadas dessa vivência rural.
Balbino França nasceu em Petrópolis e, desde criança, morou em fazenda numa época sem muita comunicação, época essa em que os brinquedos de madeira eram criados e recriados na vivência do dia-a-dia, espelho do mundo adulto do trabalho. Seu grande desejo, e o primeiro presente que tem guardado na memória, um canivete. Depois veio a carpintaria, o torno, a arquitetura, o conhecimento das formas estéticas mais apuradas.
Araçá é isso, um tributo aos céus, aos rios, às montanhas, aos ingênuos, àqueles que se harmonizam com a natureza. Uma celebração à vida a que estão acostumados, morando em Visconde de Mauá.
Roberto Granja, com sua pintura, retrata a região, suas mudanças climáticas, a natureza exuberante, o homem rural e sua cultura.
Balbino França, com seus objetos esculpidos a canivete, dá um movimento tridimensional às peças, compondo um quadro justo de equilíbrio plástico.
Passa por diversas etapas: recolhimento das árvores cortadas no campo, desdobramento em pequenas tábuas em serra circular, imunização, limpeza do pó da broca (que ataca as árvores cortadas e expostas ao tempo por um longo período), acabamento e confecção dos objetos.
É realizado independente, inclusive em locais diferentes.
Na maioria das vezes, a tela é pintada e entregue para composição do objeto Araçá, entretanto, há casos em que o objeto é realizado antes da pintura. São raros os casos em que uma idéia é concebida em comum, antes de ser executada pelos artistas.
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