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Oxitocinas x Orgones TENTANDO EXPLICAR A BOMBA DO AMOR
Roberto Moreno
No dia 1o. de junho de 2005, fui surpreendido por um post no blog do Marcelo Leite falando que cientistas suecos haviam comprovado a função da oxitocina como "poção do amor", um spray que, inalado, derrubaria barreiras de aproximação entre as pessoas. A surpresa? Freire inventou isso há vinte anos!
No livro "Coiote", que foi um dos responsáveis pela minha decisão de viver em Visconde de Mauá, o autor Roberto Freire narra a transformação de uma cena de guerra em bacanal, depois do lançamento de uma 'bomba de orgones' sobre o campo de batalha:
"De repente eclodiu um forte estampido, como um tiro de canhão, no momento em que o helicóptero sobrevoava o campo. Um rolo denso de fumaça branca começou a subir do chão e a se propagar rapidamente entre os soldados e os jovens que resistiam, e os homens da vila, alcançando logo o bolo de gente que ficara atrás da porteira. (...) Eu os perdi de vista enquanto o helicóptero dava voltas sobre o campo, onde os soldados se atiravam uns sobre os outros em envolvimentos estranhos e grotescos. Duplas se despiam e tombavam abraçadas no gramado. (...) Leonora e o piloto saltaram e se envolveram com os soldados, aí já quase todos nus, numa cena de sexo coletivo de mais de duzentos figurantes. "
A bomba do livro foi uma brincadeira do autor, inspirado pelas pesquisas do médico austríaco Wilhelm Reich. Na história, captadores instalados secretamente em motéis absorviam a energia liberada durante relações sexuais. Essa energia, chamada de orgones, era acumulada e acondicionada em caixinhas.
Viajei nas energias. Comecei a tentar criar links entre oxitocina e orgones, acreditando que seriam a mesma coisa. Li várias matérias que saíram sobre o hormônio e continuava achando que os cientistas estavam comprovando as pesquisas do Reich, preso e torturado nos Estados Unidos por suas idéias libertárias, nos anos 1950.
Naturalmente, em site nenhum do mundo consegui estabelecer o vínculo. E lá fui eu em busca de quem acreditasse na história.
Comecei pelo dr. Luiz Moura. Médico, 80 anos, vive em Visconde de Mauá, onde trata seus pacientes com medicina convencional e com aplicação das teorias de Wilhelm Reich. "Não tem nada a ver", disse logo de cara. "Os orgones estão no cosmos". E começou uma deliciosa explanação sobre orgones, Reich, energia, medicina, saúde pública e vinhos que durou mais de uma hora. Leia como foi o encontro
Saí da entrevista com dr. Moura fascinado pelos orgones e mais teimoso do que antes. Achei que ele não tinha entendido a sutileza da associação entre os dois assuntos e resolvi procurar alguém mais maluco. Quem? O médico, escritor, dramaturgo, jornalista e psicoterapeuta Roberto Freire.
Freire, 78 anos, apaixonado por Visconde de Mauá, viveu aqui nos anos 1980 e ainda mantém o sítio que foi cenário da história do Coiote. Também influenciado por Reich, criou a Soma, uma terapia corporal que junta anarquia e capoeira.
Quando telefonei para marcar a entrevista, ele disse que não havia lido nada sobre a pesquisa dos suecos. Por problemas de saúde estava meio afastado do que acontecia no mundo. Mas dias depois, quando o encontrei, já havia se informado sobre as oxitocinas: "Tem tudo a ver". "Os orgones estão no ar e no corpo". E começou uma deliciosa explanação sobre orgones, Reich, energia, amor, política e liberdade que durou mais de duas horas. Leia como foi o encontro
Yesss! Ganhei o dia.
É claro que não consegui provar nada, mas saí da entrevista ainda mais fascinado pelos tais orgones e menos preocupado com a oxitocina. O processamento do hormônio está nas mãos de um grande laboratório, que o transforma em medicamento indutor de partos e estimulante da lactação. Ninguém é tão John Lennon a ponto de imaginar que um dia vá ser usado para acabar com as guerras, mas é divertido poder pensar nisso, saber que existe a possibilidade. Por enquanto, só nos cabe pensar num jeito de borrifar esse negócio no nariz do Bush.
 
. Veja como foi a conversa com Dr. Luiz Moura
. Veja como foi a conversa com Roberto Freire
Julho / 2005
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