DOS ÍNDIOS NÔMADES À EXPLOSÃO DO TURISMO
A história de Visconde de Mauá começou com os índios Puris, descendentes dos goitacazes. Os puris se deslocavam pela serra da Mantiqueira em busca de locais onde pudessem praticar o extrativismo, já que não eram agricultores. Suas habitações eram facilmente desmontáveis.
Mais tarde, já com o Brasil dominado pelos portugueses, ocorreu o ciclo do ouro na região das "minas gerais". Os tropeiros que levavam este ouro para o litoral cruzavam a região escravizando e dizimando os puris.
Na segunda metade do século XIX o empresário Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Máua, um dos homens mais poderosos do império, conseguiu autorização para extrair carvão vegetal na Serra da Mantiqueira. Este carvão foi usado, principalmente, como combustível para as locomotivas de suas ferrovias. Isso fez com que a mata nativa da região fosse devastada.
No final desse século, Henrique filho de Irineu, teve a idéia de criar um núcleo colonial na região. O governo autorizou e deu a seu pai uma boa indenização pelo uso das terras.
Para povoar essas terras já chamadas "Núcleo Colonial de Visconde de Máua" o governo promoveu uma campanha para atrair imigrantes europeus, afirmando que a região tinha caracteristicas semelhantes às da Europa. Em 1908 o governo federal assumiu a colonização comprando de Henrique Irineu de Sousa a área que vai, hoje, de Maringá até Campo Alegre.
Da Europa chegaram suíços, alemães, austríacos e outros, com a esperança de cultivar as terras, contando com auxílio para moradia e ferramentas.
Com a baixa produtividade da terra e dificuldade de transporte dos produtos para as regiões consumidoras, os colonos se desestimularam e a maioria voltou para seu pais de origem. O núcleo colonial foi à falência em 1916.
As terras do extinto núcleo foram loteadas e adquiridas por famílias descendentes de portugueses que habitavam o sul de Minas Gerais.
Estas famílias aproveitaram as terras desmatadas para criar gado e cultivar frutas como banana e frutas silvestres, que já sabiam que se dariam bem neste tipo de solo.
Enquanto os mineiros iniciaram a agropecuária, algumas famílias de alemães que não sairam daqui começaram a hospedar parentes e amigos vindos da Europa a passeio, dando início ao turismo na região. Os visitantes chegavam ao Rio de Janeiro de navio, seguindo até Resende de trem e subiam a serra montando cavalos e mulas. Isso foi na década de 1930. Na mesma época, o presidente Getúlio Vargas (1883-1954) criou o Parque Nacional do Itatiaia, vizinho à região de Visconde de Mauá.
No início dos anos 70 o mundo vivia o auge do movimento hippie. As pessoas pregavam seus ideais de paz, amor e contato com a natureza e Visconde de Mauá, com suas cachoeiras, atraiu os hippies que vieram viver em comunidades, se instalando na região da Maromba.
A partir dos anos 90 o potencial turístico da região foi descoberto pela mídia, que passou a produzir reportagens que trouxeram visitantes de todo o país, especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo. Muitos deles se fixaram em Visconde de Mauá.
Apesar de suas características geográficas, sociais e econômicas próprias, politicamente a região está espalhada por três municípios e dois estados brasileiros: Resende-RJ, Itatiaia-RJ e Bocaina de Minas-MG. Cerca de 6 mil habitantes residem nas vilas de Mauá, Maringá, Maromba, Alcantilado e outras.
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