A pesquisa realizada recentemente pelo projeto Mauá Sustentável junto a moradores confirma anseios que já vinham se configurando aos olhares atentos: nossa comunidade quer caminhos mais sólidos e equilibrados para seu desenvolvimento. Ela exige a preservação do meio ambiente local pois sabe que este é seu bem mais precioso e, apesar de ser beneficiada pelo fluxo turístico, responsável pela maior parcela da economia da região, percebe o impacto contundente que sofre desta atividade, capaz de dobrar o número dos 6000 habitantes locais nos feriados.
A dedicação ao turismo tem dominado os investimentos, ações e expectativas de profissionais e empreendedores mas, além de não haver infra-estrutura adequada para receber massa de visitantes, a economia do turismo é sazonal, o que gera um perfil instável de renda em Mauá.
Este quadro expõe demandas importantes da comunidade no sentido de conquistar um novo padrão de organização social, em que devem estar incluídos a disseminação de práticas sustentáveis, a capacitação profissional e de novos empreendimentos e a integração de políticas públicas. Indica também algumas das principais conclusões da primeira fase do Mauá Sustentável.
Com base no intenso diálogo com a comunidade que representa e em diagnósticos sócio-econômicos e ambientais elaborados nos últimos oito meses, a Escola Técnica Rural da Mantiqueira definiu as metas do plano de desenvolvimento sustentável que propõe para a região. O projeto é apoiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (Ministério do Meio Ambiente) e concorre agora a novo edital para a execução do plano em dois anos.
"O interesse do Fundo na região se dá por estarmos situados no entorno do Parque Nacional do Itatiaia. Sabemos, entretanto, que minimizar o impacto negativo das comunidades do entorno sobre esta unidade de conservação não depende apenas de ações diretas, como fiscalização e educação ambiental. As soluções propostas visam estimular a sinergia entre estratégias de proteção à biodiversidade e interesses e necessidades desta comunidade, refletidos principalmente em projetos de geração de renda", explica o biólogo Eduardo Barcellos, coordenador técnico do Mauá Sustentável.
Ações sugeridas
O estímulo à geração de renda permeia várias ações sugeridas pelo Mauá Sustentável. Entre elas, programas de capacitação profissional que levarão em conta potenciais específicos da região e a formação de uma incubadora de empreendimentos rurais - disponibilizando serviços jurídicos, econômicos e contábeis. De forma complementar, a cooperativa Selo Verde Mauá ir+a certificar produtos e serviços que não degradam a natureza em seus processos, agregando a eles valor ecológico.
Postos diretos de trabalho serão criados em projetos ambientais como o Grupo de Defesa Ambiental (Gruda Mauá) e o Flora Mantiqueira. O primeiro é uma evolução da nossa Brigada de Incêndios (página 8) - propõe a contratação de dez agentes que atuarão orientando turistas e moradores quanto a práticas sustentáveis, bem como na conservação e controle de trilhas de acesso ao Parque do Itatiaia, no levantamento de dados para gestão ambiental e no combate e prevenção de incêndios florestais. O segundo pretende organizar o plantio de mudas nativas para reflorestamento produtivo.
Um projeto central do plano proposto é o Galpão Mantiqueira, nome dado em homenagem ao antigo Galpão Maringá. Esta sede será um pólo agregador de atividades ligadas ao desenvolvimento sustentável local e, ao mesmo tempo, um núcleo de referência, reconhecimento e valorização das potencialidades turísticas, ambientais e culturais da região. Ali estará disponível uma base de dados sobre aspectos diversos e será dada a devida orientação à população turística para interagir com o ambiente local de forma compatível com sua conservação. Estarão expostos no Galpão produtos desenvolvidos na região, enfatizando principalmente seus aspectos culturais e a certificação do Selo Verde Mauá.
Além disso, ao lado das iniciativas já citadas como a incubadora, terão espaço no local uma central de gestão ambiental - responsável por monitorar indicadores de sustentabilidade como o nível de balneabilidade dos rios e a evolução de áreas degradadas - e um gabinete intermunicipal, grupo de trabalho formado especialmente para estudar e propor forma de integração das políticas dos três municípios que conformam a região.
Ao mesmo tempo em que a circulação de informações promovida pelos agentes do Gruda Mauá será responsável pela constante integração da comunidade em sua rotina com as atividades do Galpão, o plano sugerido prevê a constituição do Parque Nacional de Visconde de Mauá, que seria uma referência de área preservada, com trilhas de reconhecimento de espécies e onde seriam desenvolvidos estudos sobre a biodiversidade local e outros projetos como o Flora Mauá citado. "Ter um parque ecológico é um antigo sonho da nossa comunidade. O Mauá Sustentável amplia esta idéia e propõe, em trabalho conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente de Resende e o Parque Nacional do Itatiaia, a utilização da área de 41 hectares pertencente à União, situada atrás da antiga Cooperativa de Leite Agulhas Negras. O processo de criação é complexo e está em andamento acelerado, contando com o apoio de diversas organizações da comunidade", adianta Eliane Arieira, coordenadora geral do Mauá Sustentável.
O detalhamento deste plano de desenvolvimento sustentável encontra-se disponível no escritório da Rural Mantiqueira em Maringá. Este trabalho foi elaborado sob a gestão de um conselho formado por 14 integrantes, em parceria com as Secretarias de Meio Ambiente e Turismo de Resende e de Itatiaia, com o Parque Nacional de Itatiaia, e com uma série de associações e ongs locais. Será apresentado ao Fundo Nacional do Meio Ambiente em setembro de 2002 e concorrerá com pelo menos 24 outras entidades ambientais a 13 vagas previstas de serem disponibilizadas no Edital 003/01 para continuidade do projeto - iniciando a fase de implantação deste plano.
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