Visconde de Mauá é o nome da vila que faz o papel de portal de toda uma imensa região, que sempre teve sua magia expressa em uma história rica em personagens, curiosidades, lendas e acontecimentos significativos.
Os amantes de Mauá poderão agora conhecer muito sobre a formação da região através do livro "Região Turística de Visconde de Mauá - Nossa História", de autoria do nativo Antônio Carlos da Costa, popularmente conhecido como Guia Toninho. A publicação de 112 páginas versa sobre os primeiros habitantes da região: as famílias Moreira, Paiva e Thomáz, e os imigrantes europeus. Quem foi o Visconde de Mauá, qual a sua influência no desenvolvimento da região, e por que esta têm o seu nome. Fala ainda sobre a fase do ouro, a fase dos índios, o ciclo dos grandes fazendeiros e a imigração européia. Como e quando iniciou o turismo e porque nos tornamos um centro turístico, além de curiosidades como a relação dos nomes das vilas e vales com as sete fazendas do Barão de Mauá que, sabidamente foi uma espécie de desbravador da região, o maior proprietário de terras, e que desde 1908 da nome ao lugar.
Leia abaixo entrevista com o autor:
GuiaMauá: O que o motivou a escrever sobre a "Nossa História"?
Toninho: Curiosidade. Eu sempre fui muito curioso em saber a verdadeira história da região, pois havia muitos desencontros nas informações populares. Há quem diga que tudo começou como um núcleo de colonização autorizado pelo governo e feito em conjunto com o filho do Visconde, que seria o núcleo de colonização Visconde de Mauá e que teria passado a existir a partir de 1908. De outro lado estão os fazendeiros que aqui chegaram há mais de cem anos. A família Thomáz, por exemplo, teria chegado na região por volta de 1840.
GM: Como foi feita a pesquisa que tirou essas dúvidas?
T: Movido pela curiosidade, comecei a pesquisar através de livros antigos, em cartórios e até na igreja, por meio de uma freira que muito me ajudou, e cheguei a uma descoberta interessante. Nossa região se chamava Alto Vale do Rio Preto até 1908, quando foi montado o núcleo de imigrantes, principalmente de origem alemã, e passou a ser chamada de Núcleo de Colonização Visconde de Mauá.
GM: Por quê?
T: Porque a maior parte das terras daqui eram de propriedade de Irineu Evangelista de Souza, o então Barão de Mauá. Depois de sua morte em 1889, seu filho Henrique Irineu de Souza veio para cá e, percebendo a quantidade de terras que seu pai possuia, propôs ao governo brasileiro a formação de um núcleo de imigrantes e dar a ele o nome do pai. O governo concordou e as terras foram divididas em 235 lotes que formavam o núcleo que tinha por sede o lugar onde hoje está a vila de Visconde de Mauá.
GM: Quando a região passou a ter o nome atual?
T: Foi só a partir dos anos setenta que o lugar passou a ser conhecido como Visconde de Mauá e, a partir da década de oitenta, como Região Turística de Visconde de Mauá. Portanto, há pouco mais de vinte anos.
GM: Você falou sobre as pesquisas que fez através de livros, cartórios etc. Mas sabemos que, por conhecer muito bem toda a região, você teve a oportunidade de fazer muita pesquisa de campo.
T: De fato, sempre que eu tinha oportunidade de andar pelo interior, pelas fazendas, por aí, procurava conversar com as pessoas dos lugares, principalmente com os mais antigos, os mais idosos, que sempre me contavam histórias interessantes que eu passei a anotar. Com o passar do tempo, mais precisamente treze anos, acabei coletando informações preciosas sobre a "Nossa História".
"Na verdade, eu estava em busca de tesouros enterrados"
GM: Quando você começou a anotar as informações, já pensava em escrever um livro?
T: Na verdade eu estava atrás de informações sobre as muitas histórias locais que falavam a respeito de verdadeiros tesouros em ouro enterrados pelos bandeirantes que teriam passado pela região.
GM: Como é que é? Explica melhor essa história.
T: O que se diz é que os bandeirantes passavam por aqui com tropas de burros carregados de ouro, e que por volta de 1820 houve muita perseguição a esses bandeirantes, pelo contrabando de ouro. Durante as lutas, muitos dos animais feriam-se e tinham de ser sacrificados por seus donos, que os enterravam junto às suas cargas. A abundância era tanta que todos os outros burros já estavam suficientemente carregados e portanto impossibilitados de receberem a carga excedente.
GM: Quer dizer que você começou como um caçador de tesouros?
T: Sim eu comecei como um caçador de tesouros. A verdade é essa: comecei investigando sobre locais onde poderia haver ouro enterrado.
GM: E qual foi o resultado da “caça”? Achou alguma coisa?
T: Que nada, nunca achei nada, nem vestígio de ouro.
GM: Mas as pesquisas acabaram gerando o livro que agora poderá ser explorado por muito tempo.
T: Nesse sentido o que sempre me moveu foi a curiosidade em saber tudo sobre a história da região. Em 96, depois de casado, certa vez, minha esposa sugeriu que eu juntasse toda essa informação acumulada nos últimos treze anos em um livro. A idéia era boa mas na verdade faltavam ainda muitos detalhes para conseguir juntar as peças de um quebra-cabeças que parecia impossível de se completar.
GM: Por que era tão difícil assim juntar essas peças?
T: Na verdade, eu não pensava em escrever um livro, pois as histórias contadas pelos fazendeiros e posseiros mineiros não batia, não casava com as dos imigrantes que chegaram depois de 1900. Insisti e me aprofundei nas pesquisas em bibliotecas a respeito do Visconde de Mauá, descobrindo tudo sobre ele. Foi quando conheci uma freira que muito me ajudou em pesquisas junto aos arquivos da igreja, mandando-me um material finalmente fechava o quebra- cabeças.
GM: É verdade que a prefeitura de Itatiaia estaria interessada em adotar o livro para o ensino de nossa história nas escolas de ensino fundamental?
T: Sim, é verdade. A prefeitura municipal de Itatiaia, através das secretarias de Turismo e Educação e Cultura, está interessada em obter uma edição completa do livro para mandar às escolas municipais pois, afinal, trata-se de um livro também didático sobre a história da região.
O livro que conta “Nossa História” desde o ano de 1739 será lançado no próximo dia 19 de janeiro, às 19h no restaurante Chapeau Noir em Maringá RJ, e no dia 25, na Skina do Chopp, no Manejo em Resende. Depois disso estará a venda em todas as lojas de Mauá, Maringá e Maromba, nas livrarias e bancas de jornais de Resende e pelo site www.guiamaua.com.br/nossahistoria.
Arthur W. Porsani
Redação GuiaMauá
www.guiamaua.com.br
17.01.02