visconde de maua
PERFIL  


MARGOT E LUCIANO
Um fim de semana que já dura quatro anos

Margot e Luciano Rabelo vieram a Mauá em 1996 para passar um fim de semana, mas o reflexo do sol nas águas do rio Preto fez com que ficassem para sempre. A família foi avisada por telefone, dias depois. Agora, o casal só volta a São Paulo esporadicamente, como no mês passado, quando Luciano, artista plástico, levou uma nova safra de peças para a galeria que expõe seus trabalhos. Veja como foi a aventura dos dois.

Margot começa contando: "Foi depois do Natal, dia 26 de dezembro de 1996. Luciano havia passado o Natal com a família dele e eu com minha família. Estávamos com uma viagem programada para a Chapada Diamantina, na Bahia, já com mapas prontos e tudo mais. Mas nos encontramos nesse dia 26 e Luciano disse - 'vamos viajar?' Tinhamos um jipe 51. Eu disse que não dava, mas ele insistiu para conhecermos Visconde de Mauá. Sabíamos da região por um amigo e tinhamos visto fotos daqui.
Resolvemos viajar e arrumamos tudo para passar um fim de semana. Saímos de São Paulo por volta das 18h e chegamos aqui de madrugada, umas 6 horas da manhã. Viemos muito devagar com o jipe, com medo de problemas mecânicos.
Quando começamos a subir a serra, estava muito escuro, e achávamos que estávamos perdidos. Não havia ninguém para dar informações."

"Resolvi fechar um carro na estrada, veja que loucura", continua Luciano. "Vinha passando um carro e fechei. Era a polícia. Estavam em dois carros civis, os policiais à paisana. No segundo carro estavam todos encapuzados, com espingardas na mão. Me assustei, pensando que era um assalto. Deram uma revista geral no carro procurando drogas."

"E só encontraram medicamentos, porque Luciano estava em tratamento médico. Começamos a achar que Mauá não seria um paraíso e sim um pesadelo. Mas quando chegamos lá em cima, no mirante, nós olhamos o sol batendo no rio, dava aquela luminosidade na água, aquilo para gente foi um espanto, um cartão postal. E descemos, mas erramos o caminho. Chegando em Visconde de Mauá, em vez de subirmos para Maringá fomos para o outro lado e chegamos no Vale das Flores."

"Nisso o jipe parou de funcionar. Eu não sabia o que era, não entendo nada de mecânica. Ficamos na rua."

"Começamos a procurar uma pousada para ficar, mas era antevéspera de Ano Novo e estava tudo muito caro e cheio. Perguntamos em vários lugares e não encontramos nem acampamento. Até que passou um senhor e se prontificou a trazer um mecânico para resolver o problema do jipe."

"Um rapaz que transportava areia num caminhão rebocou o jipe até a casa do mecânico que verificou o carro e disse que não havia defeito, era apenas sujeira no carburador. Limpou e não cobrou um tostão. Por coincidência, este mecânico tomava conta de uma chácara com dois chalés."

"Eu já estava encantado com Mauá, mas fiquei mais ainda com os pássaros exóticos que havia na casa desta pessoa. Hoje sou contra manter animais em cativeiro, mas aquilo foi demais. As montanhas, as pedras (que adoro), a vegetação, o colorido, aqueles pássaros."

"Fomos para o chalé e Luciano disse - 'eu não volto mais para São Paulo. Nós não vamos mais voltar. Vamos comprar um terreno e ficar por aqui.' Mas como? Não temos dinheiro, nada! A solução seria vender o jipe. A pessoa que nos alugou o chalé também tinha terrenos para vender. Quase compramos um terreno no Alcantilado. Perguntei para ele se conhecia alguém que pudesse se interessar pelo jipe."

"Era um jipe com história, havia pertencido à família do Castelo Branco..."

"O dono do chalé nos indicou o Gute, que administrava a pousada Casarão em Maringá. Fomos para Maringá e a vila estava lotada. Não sabiamos, mas Gute estava almoçando em um dos restaurantes do centrinho e nos viu passar. Quando chegamos ao Casarão, uma funcionária telefonou para ele e perguntou se estava interessado em nosso jipe. Ele pediu para que esperássemos lá e disse que poderiamos acampar e ficar por lá mesmo, que não cobraria nada. Ficamos como convidados na pousada.

Quando ele chegou, nos aconselheu a não vender o jipe, pelo valor sentimental. Para retribuir a hospedagem, me senti na obrigação de prestar serviço."

"No outro dia pela manhã, em vez de aproveitar Mauá como turistas, Margot já estava trabalhando na cozinha e eu limpando banheiros."

"Neste tempo em que ficamos no Casarão, surgiu uma oportunidade para vender um terreno que Luciano tinha em Campinas. Ele foi até lá, trocou o terreno por um carro, trouxe o carro e vendeu ao próprio Gute.

Com o dinheiro, compramos um terreno e ainda sobrou um pouco para começar a construção da casa. Durante um bom tempo ficamos morando aqui, numa barraca."

"Hoje Margot trabalha no Terra da Luz e eu recomecei a trabalhar com arte, depois de dois anos por causa de uma depressão. Já havia tentando recomeçar em São Paulo, atendendo a um convite do Museu de Arte Moderna da Bahia, mas não consegui terminar a peça."

"Luciano trouxe esta peça para cá, e concluiu o trabalho. A obra ficou exposta no Espaço Cultural Bühler, onde foi vendida. A partir daí, começou a expor em outros lugares e o trabalho ficou mais produtivo."

"Foi a região de Mauá que fez isso. Parei de tomar os medicamentos, que alteravam os sentidos, e com o acompanhamento médico. A natureza substituiu os remédios. A coisa que eu mais gosto aqui é a paisagem, ver o sol nascendo."

Home | Hotéis | Passeios | Mapa e acesso | Webcam | Fotos | Restaurantes | Compras
Artes | Esportes | Serviços | Transportes | Notícias | Receitas | Perfil | Camping | Agenda
Postais | Rádio Mauá | Ponto de Encontro

GuiaMauá é produzido por Umbigo da Rede Ltda
Estrada das Cruzes 2322 - Vale das Cruzes - Visconde de Mauá RJ
Contatos: Redação / Publicidade / Administração
© 2000 2001