XIII JOGOS PAN -  AMERICANOS
    WINNIPEG / CANADÁ
    DE 24 DE JULHO A 08 DE AGOSTO / 99

     
     
    Natação comemora recorde absoluto nas medalhas de Ouro

     
     

     NATAÇÃO COMEMORA RECORDE ABSOLUTO NAS MEDALHAS DE OURO
     WINNIPEG, CANADÁ (08/08/99) - A equipe de natação do Brasil tem motivos de sobra para comemorar. Nunca, na história dos Jogos Pan-Americanos, a modalidade havia obtido sete medalhas de ouro num mesmo Pan. O recorde anterior estava registrado nos Jogos de Havana (91) e de Mar del Plata (95), quando a natação conquistou três medalhas de ouro em cada edição. O aumento de 133% no número de vitórias em Winnipeg deixou a equipe brasileira em estado de euforia, sobretudo após vencer o revezamento 4x100m quatro estilos, que fechou com chave de ouro a
     participação da natação no Pan.

     A manhã deste domingo foi de festa para a equipe de revezamento. Fernando Scherer, Gustavo Borges, Marcelo Tomazini e Alexandre Massura estavam radiantes com a vitória sobre a equipe norte-americana. Durante a entrevista coletiva na Casa Brasil, que durante o Pan funcionou como o quartel-general do Comitê Olímpico
     Brasileiro em Winnipeg, os quatro nadadores recordavam com alegria os momentos antes e depois da prova. "Estava sozinho no balizamento, quando os canadenses chegaram dando peitada uns nos outros, batendo com a toalha na parede e cheios de autoridade, mas bastou o Xuxa chegar sambando que eles amarelaram ali mesmo", lembrava Alexandre Massura, do nado costas, que se casará no próximo dia 21.

     Normalmente polido nas entrevistas, Gustavo Borges não conseguiu ficar preso à ética. "Nem é legal falar isso, mas vencer a prova, dar a volta olímpica na piscina e ainda ver a cara de decepção do adversário é muito bom. Aquela alegria só havia sentido quando vi meu nome no placar apontando a medalha de prata em Atlanta", explicou. Fernando Scherer, que até o meio-dia de sábado nadaria os 100m livre no revezamento, também estava radiante. "Foi uma prova especial. Nadei forte, controlando o americano, pois sabia que se entregasse a prova bem para o Gustavo
     ele faria o resto. Fiquei tão feliz que só depois percebi que havia conquistado quatro medalhas de ouro, algo que nenhum outro atleta ainda conseguiu num mesmo Pan. Agora minha meta é bater o recorde mundial dos 50m borboleta, dia 21, no Júlio De Lamare", revelou.

     Para este segundo semestre, os planos dos quatro medalhistas de ouro são parecidos. Tomazini, Massura e Borges vão se preparar para o Troféu José Finkel, em dezembro, enquanto que Xuxa pretende investir nas provas de 200m livre como forma de preparação para os 100m. "Nadar os 200m tem que ter coragem. Preciso me acostumar com essa dor no corpo para ter mais condições nos 100m, principalmente nos 50m finais", explicou.

     Mesmo assim, o Troféu José Finkel já começa a reviver a rivalidade entre nadadores e equipes. O fundista Luiz Lima, medalha de ouro nos 400m e prata nos 1.500m, faz planos para sua equipe. "Vamos tentar mais um título para o Vascão", afirmou. "Cala a boca, Luizinho", retrucou o rubro-negro Xuxa. E as gozações não cessaram. "No duelo das medalhas de ouro deu Flamengo", lembrou Xuxa. "Mas no total de medalhas o Vasco ganhou", respondeu Borges, para nova intervenção de Fernando Scherer. "O que importa é que no clássico dos 100m deu Mengão", ressaltou.
     "Realmente, clássico é clássico, mas fui prejudicado pelo juiz", lembrou Gustavo, referindo-se ao episódio da corda na primeira largada da prova.

     Acompanhando com alegria a performance de seus pupilos, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, decretou. "Essa rivalidade é mais do que sadia, pois motiva atletas e equipes. Além do mais, o Scherer e o Gustavo nasceram da mesma placenta de cloro. São irmãos", definiu.

     Cláudio Motta / Assessoria de Imprensa do COB, de Winnipeg 
    Data: 08/08/99