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edição 71 - Setembro 2009
Entrevista com Laurentino Gomes
Jornalista e escritor prepara o livro 1822, a ser lançado em 2010, depois do enorme sucesso de 1808, que vendeu meio milhão de exemplares no Brasil e em Portugal
por Maurício Milani
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O escritor promete manter no novo livro a fórmula que o consagrou: contar a história do Brasil pela ótica da reportagem
Prêmio Jabuti de 2008 em duas categorias pelo livro 1808, o jornalista e escritor Laurentino Gomes está em fase de criação de 1822, obra sobre a Independência, com a mesma linguagem leve que fez do volume anterior um fenômeno editorial, com meio milhão de exemplares vendidos. A nova editora do escritor é a Ediouro, que além do livro impresso, lançará o conteúdo em vários formatos, incluindo graphic novel e DVD. “Para o bem e para o mal, somos herdeiros desse período. É como se fosse o nosso DNA”, diz Laurentino. A seguir, trechos da entrevista concedida a História Viva.

História Viva – Como será o próximo livro?

Laurentino Gomes – Vai retomar a narrativa no ponto em que terminei o 1808. Como vou tratar da Independência, o título será 1822. Estou lendo cerca de 80 livros sobre o tema, que se somam às 150 fontes que usei na pesquisa para o 1808. Pretendo mostrar que país era este que a corte de D. João deixava para trás ao retornar a Lisboa, em 1821. Vou falar do Grito do Ipiranga, das enormes dificuldades do Primeiro Reinado, da abdicação de D. Pedro, em 1831, sua volta a Portugal para enfrentar o irmão, D. Miguel, que havia usurpado o trono, e a morte em 1834. O lançamento está previsto para setembro de 2010. O estilo será o mesmo do 1808: capítulos curtos, pequenos perfi s dos personagens e linguagem acessível.

HV – A história oficial costuma ser a história do poder. O leitor pode esperar surpresas na nova obra?

Laurentino – A história do Brasil é contaminada por dois tipos de deturpações. A primeira está na história oficial, que se esforça em fazer celebração épica dos heróis e acontecimentos, como se eles tivessem construído ou dado origem a um Brasil melhor do que o que vemos hoje nas ruas. A segunda deturpação é marcada por uma tentativa de desconstrução dessa história oficial. São livros, filmes e minisséries que banalizam fatos e personagens, como se pertencessem a um Brasil vira-lata e indigno do seu passado. É o que se vê, por exemplo, no filme Carlota Joaquina, princesa do Brasil, de Carla Camurati, e na série de televisão O quinto dos infernos. A verdade, como sempre, está no meio.

HV – Como definir D. Pedro I? Teria sido um títere de José Bonifácio e de potências europeias?

Laurentino – D. Pedro I foi um personagem fascinante. Amava de forma desmedida mulheres, cavalos e amigos de reputação questionável. Na política, tinha um discurso liberal, mas um comportamento autoritário. Admirava Napoleão, que obrigou seu pai a fugir de Portugal. Deu ao Brasil, em 1824, uma constituição surpreendentemente liberal, mas alguns meses antes dissolveu a primeira Constituinte brasileira. Tinha virtudes e defeitos, como qualquer pessoa. Viveu de forma intensa. Fez a Independência com 23 anos e morreu com 35, depois de deixar um filho no trono brasileiro, D. Pedro II, e uma filha no trono português, D. Maria II. Foi como um meteoro que cruzou os céus da história.
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Maurício Milani é jornalista
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