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Artigos |
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| edição 70 - Agosto 2009 |
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| O fim do primeiro round |
| Obra mostra o que aconteceu na última semana da Primeira Guerra Mundial e a movimentação dos personagens que deram fim ao conflito, mas plantaram as sementes da Segunda Guerra |
| por Osvaldo Coggiola |
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DIVULGAÇÃO |
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| O MAIOR DIA DA HISTÓRIA - Nicholas Best, Paz e Terra, 332 págs., R$ 59,00 |
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Nos últimos anos, alguns notáveis trabalhos históricos deram conta da tarefa de desmitificar a Primeira Guerra Mundial – ou seja, tirá-la de seu relato puramente diplomático- militar e/ou épico. O livro Peacemakers – six months that changed the world, de Margaret MacMillan, mostrou as negociações que desenharam o novo mapa europeu no fim do conflito. E Cataclysm – the First World War as political tragedy, de David Stevenson, tratou das origens e do desenrolar da guerra. As duas obras são as mais importantes, mas ainda não foram traduzidos para o português.
Nicholas Best, jornalista e crítico literário do Financial Times, se inclui nessa linha, mas de modo original. Seu livro relata unicamente a semana final da guerra – de 4 a 11 de novembro de 1918 –, que precedeu o armistício entre as potências beligerantes. O relato se situa na encruzilhada entre o romance, a reconstituição histórica e a reportagem. Possui, portanto, o mérito e todas as fraquezas do risco implicado na tentativa.
Os personagens, que aparecem, desaparecem e reaparecem ao longo do relato, são os grandes comandantes militares e políticos do conflito, soldados de base e “gente comum”, mas também “notáveis” do futuro, que ainda eram anônimos combatentes ou participantes da tragédia (como Adolf Hitler ou Ernest Hemingway). O livro se lê, em parte, como uma espécie de romance trágico e sem enredo (na melhor tradição faulkneriana) de pessoas, “grandes” ou “pequenas”, consumidas pela voragem de acontecimentos que, aparentemente, carecem de sentido.
Ao mesmo tempo, o sentido profundo aparece em fatos e processos situados fora da dimensão militar ou geopolítica: nas ilusões nacionalistas de combatentes e populações, transformadas, depois de quatro anos de sofrimento, em desejo de vingança. E, principalmente (e este talvez seja o grande mérito historiográfico de Best), no “grande medo”, nos dois lados do conflito, provocado pela explosão da Revolução Russa e pelo início da revolução na Alemanha, com a capital e as principais cidades governadas por conselhos operários e motins nas próprias tropas do front.
Foi esse o fator que precipitou uma “paz” não inteiramente lógica em termos militares ou diplomáticos, uma paz que consagrava a derrota alemã (e dos impérios centrais), ainda não clara no campo de batalha. E uma vitória mesquinha dos “aliados” (a Entente mais os Estados Unidos, que alguns de seus generais, notadamente o comandante das tropas americanas, general Pershing, pretendiam transformar em vitória total). Assim se impôs a rendição incondicional do Reich e a ocupação militar da Alemanha, para evitar futuras guerras – e aqui vem à memória o fato de que esse foi exatamente o desfecho da Segunda Guerra. |
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| Osvaldo Coggiola é professor do programa de pós-graduação em história econômica da USP e autor do livro A revolução iraniana(Unesp, 2008) |
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