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edição 18 - Abril 2005
O perigo dos estereótipos
A representação de personagens e fatos históricos via imagens muitas vezes, em vez de informar corretamente, elege e perpetua fantasias.
por Johnni Langer
A história não é feita unicamente de documentos escritos. Está gravada em imagens, que são muito mais poderosas no imaginário que a escrita, pois permitem que a perpetuação das fantasias ocorra facilmente. Em livros didáticos, no cinema, nos quadrinhos, muitos fatos são interpretados por meio de uma representação visual.

Quanto maior a distância do fato ocorrido ou dos registradores serem de culturas e períodos diferentes, maior a ocorrência de equívocos.

Existem vários tipos de estereótipos. Alguns são detratores, geralmente descritos para etnias exóticas, outros são utilizados como estimuladores de ideais nacionalistas. O primeiro caso pode ser exemplificado com Heródoto (V a.C.), ao descrever a prática dos citas de beberem nos crânios de seus inimigos. Era uma fantasia, com o intento de enaltecer os gregos, contrastando-os com a barbárie dos "primitivos". O mesmo estereótipo foi renovado pelo cristianismo, com Jordanes descrevendo os hunos (VI d.C.) e cronistas da Baixa Idade Média caracterizando os vikings (XIV d.C.). Culturas e escritores diferentes, mas a mesma imagem fantasiosa: a figura do outro porta características bestiais, no caso, o suposto ato de utilizar os crânios como taças. Imaginar esses três povos citados como animalescos era algo normal para os parâmetros daqueles intelectuais.

O uso político das imagens históricas também produziu muitos estereótipos, alguns sem conotação detratora. A moda do celtismo, a partir do século XVIII, almejava recuperar as raízes das nações européias, e os escolhidos foram os celtas.
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Johnni Langer é doutor em história, professor da UNICS, do Paraná. Medievalista, publicou trabalhos acadêmicos na europa e em periódicos nacionais.
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