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edição 67 - Maio 2009
O retorno (triunfal) de Arquimedes
Recuperação do Códex C, onde o maior físico-matemático da Antigüidade trata da flutuabilidade dos corpos, emerge sob um velho livro de orações
por Ulisses Capozzoli
DIVULGAÇÃO
CÓDEX ARQUIMEDES - REVIEL NETZ E WILLIAM NOEL - Editora Record, 322 págs., R$ 49,00
Livros são surpreendentes. E podem ser ainda mais quando se referem a outros livros, especialmente se o relato tratar do que já é considerado a “oitava maravilha do mundo”: o Códex C de Arquimedes, o mais famoso físico-matemático da Antigüidade e um dos maiores gênios da história nessas áreas do conhecimento.

Pouco se sabe sobre Arquimedes, já que a biografia escrita por seu amigo, Heracleides, foi perdida. Entre as poucas referências está o fato de que seu pai foi o astrônomo Fídias, segundo o próprio Arquimedes registrou em O contador de grãos de areia. Ele também pode ter sido parente do rei Hieron II, segundo Plutarco e Políbio, e é bastante provável que tenha visitado Alexandria, por várias evidências conhecidas.

Arquimedes acabou popularizado pela expressão eureca, para se referir a uma de suas descobertas: o
princípio da flutuabilidade. Segundo a lenda, tomado pela emoção da descoberta ele teria saltado nu, de uma banheira, correndo pelas ruas e gritando “eureca, eureca” (“descobri, descobri”).

O mais famoso gênio da Antigüidade teria sido morto por soldados romanos, durante a Segunda Guerra Púnica, em 262 a.C. Conta-se que soldados romanos invadiram a praia de Siracusa, onde um velho (Arquimedes) desenhava círculos na areia. Sem suspeitar da identidade do matemático, os soldados o teriam assassinado por uma razão fútil: ele teria se recusado a obedecer a ordens, para não interromper um raciocínio que supostamente desenvolvia. Sua sepultura teria sido decorada com o desenho de uma esfera no interior de um cilindro, parte de uma de suas demonstrações matemáticas. Arquimedes determinou o valor de Pi (3,1416...), fundamental em matemática, em meio a um vasto conjunto de outras criações, descobertas e desenvolvimentos, entre os quais magníficas máquinas de guerra.

A história do Códex C, para resumir detalhes que renderiam ao menos um outro livro, pode ser contada a partir de 1204, numa nova guerra envolvendo bárbaros soldados cristãos determinados a conquistar Jerusalém. Numa parada em Constantinopla (atual Istambul), então a cidade mais rica da Europa oriental, eles fizeram o saque que produziu uma das maiores perdas da história da cultura. Comparada às dos guerreiros cristãos, a destruição que George W. Bush produziu no patrimônio cultural do Iraque, o berço da história, é absolutamente irrelevante.
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Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo.
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