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07 de novembro de 2011
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A pioneira entre os mestres
Nascida há 144 anos, essa polonesa se tornou a primeira mulher a ganhar, sozinha, um Prêmio Nobel. Em homenagem à pesquisadora, a Unesco proclamou 2011 o Ano Internacional da Química
 
(C)PVDE/Rue des Archives
A cientista (à dir.) rodeada por estudantes, membros de uma força-tarefa americana: durante toda a vida ela se dedicou ao trabalho na Universidade de Paris
[continuação]

Em um primeiro momento “a viúva ilustre” suportou a dor da perda de forma muito digna, como sempre. No dia seguinte ao funeral, porém, ela desabou. Isolou-se e, entrincheirada em seu quarto, escreveu cartas repletas de culpa para o esposo defunto. Mais uma vez, ela encontrou a salvação no trabalho. No dia 1º de maio de 1906, a Sorbonne lhe confiou a cátedra que fora de seu marido. Marie se tornou, assim, a primeira mulher a ocupar o cargo de professora titular da famosa universidade.

Em 1910, ela publicou em seu #Tratado da radioatividade# um quadro sinótico de todos os elementos radioativos identificados até então. No ano seguinte, foi indicada para uma cadeira na Academia de Ciências da França, mas os membros da instituição, agarrados a um machismo primário, rejeitaram sua candidatura.

Logo em seguida, Marie se tornou protagonista de um escândalo que ganhou as manchetes dos jornais franceses. Em uma reportagem publicada nas colunas do #Journal# no dia 11 de novembro de 1911, o repórter Fernand Hauser acusava a cientista de ter um caso amoroso com o físico Paul Langevin, antigo aluno de seu marido. O caso ganhou enorme repercussão e chegou às páginas da imprensa internacional.

Atingida em sua intransigência pudica, Marie Curie manteve as aparências e esperou o momento certo para dar a volta por cima: no dia 10 de dezembro de 1911, viajou a Estocolmo para receber seu segundo Prêmio Nobel, dessa vez pelas suas contribuições no campo da química. Tornava-se, assim, a primeira mulher da história a ganhar sozinha a condecoração.

De volta à França, ela fundou, em 1914, o Instituto do Rádio. Em 1921, criou a Fundação Curie para financiar as atividades do instituto e pesquisar as aplicações de suas descobertas ao campo da medicina, esforço que deu origem à radioterapia. Em 1925, ela ainda inauguraria o Instituto do Rádio em Varsóvia antes demorrer, em 4 de julho de 1934, em um sanatório na cidade de Passy, na França. Naquele dia, a incansável cientista de olhar duro, católica por educação e ateia por desilusão, nos deixou órfãos de sua luz para, enfim, descansar.
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Pascal Marchetti-Leca é professor da Universidade da Córsega
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