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Ou seja, você acredita que seu verdadeiro substituto, mais do que uma única pessoa, mais do que Raúl, seria mais propriamente uma geração, a geração atual? Sim, já há algumas gerações prontas para substituir outras. Tenho confiança, e sempre digo isso, mas estamos cientes de que são muitos os fatores que podem ameaçar um processo revolucionário. Há os erros de caráter subjetivo… Houve erros, e temos a responsabilidade de não ter descoberto determinadas tendências e erros. Hoje eles já foram superados.
Eu disse o que aconteceria amanhã; mas já estão aí as novas gerações, porque a nossa está acabando. O mais jovem – digamos, falei do caso de Raúl – é apenas uns quatro anos mais novo que eu.
Essa primeira geração ainda coopera com as novas, que acatam a autoridade dos poucos que vamos ficando. Há a segunda; agora a terceira e a quarta… Eu tenho uma idéia clara do que vai ser a quarta geração, porque você vê os garotos da sexta série fazendo seu discurso. Que talento estamos descobrindo!
Descobrimos milhares de talentos, esses garotos impressionam, causam impacto. Não se sabe quanta aptidão e quanto talento há no povo. Eu defendo a teoria de que a aptidão é natural; se não for para uma coisa, será para outra, para o computador, para a música, ou para a mecânica. A aptidão é natural, uns a têm para uma coisa e outros para outra. Agora, desenvolva e eduque uma sociedade completa – isso é o que estamos fazendo – e veremos no que vai dar. Esses são os oito milhões que, depois do primeiro ano do período especial, subscreveram: “Sou socialista”.
Eu tenho muita esperança, porque vejo com clareza que esses que chamo de quarta geração vão ter três, quatro vezes mais conhecimento que nós da primeira, e mais de três vezes o conhecimento da segunda. E a quarta deve ter, com tudo o que se está fazendo agora, pelo menos duas vezes e meia o da terceira. Escute bem o que vou dizer: virão mais pessoas para ver o desenvolvimento social deste país, as coisas sociais deste país, que as praias de Cuba. Nosso país já faz coisas… Um país pequeno que pode fornecer o pessoal de que as Nações Unidas necessitariam para a campanha que o secretário-geral propôs para liquidar a aids na África. Hoje isso não pode ser feito sem os médicos cubanos. Entre Europa e Estados Unidos, não chegam a mil os médicos que vão aonde estão nossos médicos. Digo mil porque estou exagerando, não se sabe quantos… Nós oferecemos às Nações Unidas 4 mil médicos; agora já estão lá mais de 3 mil. Então isso nos dá uma certa satisfação; neste país bloqueado, neste país que tem sofrido mais de quarenta anos de bloqueio e dez anos de período especial. Criamos capital humano, e capital humano não se cria com egoísmo, estimulando o individualismo na sociedade. |