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19 de fevereiro de 2008
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Fidel Castro: Biografia a duas vozes
 
[continuação]

Você está dizendo que esta Revolução não está esgotada?
Sem dúvida ainda não a concluímos, vivemos na melhor época de nossa história, a de mais esperança em tudo, e você vê isso em toda parte.

Tudo bem, é verdade, eu aceito a crítica de que cometemos alguns erros de idealismo, quem sabe quiséssemos ir rápido demais, quem sabe tenhamos subestimado forças, o peso dos costumes e outros fatores. Mas nenhum país enfrentou um adversário tão poderoso, tão rico, sua máquina de publicidade, seu bloqueio, uma desintegração do ponto de apoio. A União Soviética desapareceu e ficamos sozinhos, mas não vacilamos. Sim, a maior parte do povo nos acompanhou, não digo que todos, porque alguns desanimaram, mas temos sido testemunhas das coisas que esse país já fez, como resistiu, como avança, como se reduz o desemprego, como cresce a consciência.

Não é necessário medir nossas eleições pelo número de votos. Eu as meço pela profundidade dos sentimentos, pelo calor, vejo isso já há muito anos. Nunca vi os rostos mais cheios de esperança, com mais orgulho. Isso tudo vem se somando, Ramonet.

Você acredita que a substituição pode acontecer já sem problema?
De imediato não haveria nenhum tipo de problema; e depois muito menos. Porque a Revolução não se baseia em idéias caudilhistas nem no culto à personalidade. Não se concebe um caudilho no socialismo, não se concebe também um caudilho numa sociedade moderna, em que as pessoas façam as coisas apenas porque têm confiança cega no chefe ou porque o chefe assim pediu. A Revolução se baseia em princípios. E as idéias que defendemos são, já faz tempo, as idéias de todo o povo.
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