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19 de fevereiro de 2008
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Fidel Castro: Biografia a duas vozes
 
[continuação]

Mas a pergunta que alguns se fazem é se o processo revolucionário, socialista, em Cuba, pode também ser derrubado.
Será que as revoluções estão fadadas a desmoronar, ou são os homens que podem fazer as revoluções desmoronarem? Será que os homens podem impedir, será que a sociedade pode impedir que as revoluções desmoronem? Eu sempre me faço essas perguntas. E preste atenção no que vou dizer: os ianques não podem destruir esse processo revolucionário, porque temos todo um povo que aprendeu a manejar armas; todo um povo que, apesar dos nossos erros, possui um nível de cultura, conhecimento e consciência que jamais permitirá que este país volte a ser uma colônia deles.

Mas este país pode se autodestruir sozinho. Esta Revolução pode ser destruída. Nós sim, nós podemos destruí-la, e seria nossa culpa. Se não formos capazes de corrigir nossos erros. Se não conseguirmos pôr fim a muitos vícios: muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de abastecimento de dinheiro dos novos ricos.

Por isso estamos agindo, estamos caminhando para uma mudança total da nossa sociedade. É preciso voltar a mudar, porque tivemos tempos muito difíceis, geraram-se desigualdades, injustiças. E vamos mudar sem cometer o mínimo abuso que seja.

Haverá uma participação cada vez maior, e seremos um povo que terá uma cultura geral integral. Martí disse: “Ser culto é o único modo de ser livre”. E, sem cultura, não há liberdade possível, Ramonet.

Por isso também tenho fortes reservas e críticas sobre a globalização neoliberal, um sistema em que muitas pessoas passam fome. Isso de viver no engano, na mentira, semeando egoísmo, gerando consumismo. Para quê? Para que o homem alcançou essa condição, se ainda nem é capaz de garantir sua sobrevivência?

Não podemos erguer um monumento à nossa capacidade política, o mundo é ameaçado por um monte de perigos. Como sou otimista, eu tenho esperança, sim, de que este mundo vai sobreviver, porque o vejo reagir, vejo que o homem, apesar de seus erros e seus milênios de história – uns poucos milênios, três ou quatro –, em apenas um século multiplicou seus conhecimentos. Mas também muitos desses progressos serviram para semear veneno, servem para transmitir idéias falsas e transmitir informações errôneas.
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