Os 10 maiores slogans políticos do século XX
Conheça as principais frases que mobilizaram multidões ao redor do mundo e ajudaram a moldar a história do século passado
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| O célebre cartaz do "Tio Sam", criado por J. M. Flagg |
Eu quero você no exército americano (I want you for the U.S. army)A figura do “Tio Sam”, mais célebre personificação dos Estados Unidos, surgiu durante a Guerra de 1812 contra o Império Britânico. O termo faz referência a Samuel Wilson, funcionário do governo responsável pela inspeção dos suprimentos do exército, que foi apelidado de “Uncle Sam” pelas tropas. A expressão nasceu de um trocadilho com as iniciais de seu apelido e o “U.S.” que abrevia o nome do país, associação entre o personagem e o governo americano que sobrevive até os dias de hoje.
O símbolo da América fez carreira durante todo o século XIX, marcando presença em uma série de
cartoons políticos, ilustrações e obras de ficção. No entanto, foi somente em 1917, com a campanha de recrutamento para a Primeira Guerra Mundial, que o Tio Sam ganhou sua forma mais conhecida.
Pela mão do ilustrador publicitário James Montgomery Flagg, o velho com cartola e paletó nas cores da bandeira
yankee aponta para o observador e afirma: “Eu quero você para o exército americano”. Foram feitas mais de quatro milhões de cópias do cartaz, e o Tio Sam foi novamente requisitado para a campanha de alistamento para a Segunda Guerra Mundial.
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| Brasão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O slogan pode ser lido, nas faixas vermelhas que envolvem os ramos de trigo, em cada um dos idiomas oficiais da ex-potência. |
Trabalhadores do mundo, uni-vos!Em 1848, os alemães Karl Marx e Friedrich Engels finalizaram o
Manifesto do Partido Comunista conclamando a classe proletária de todo o mundo a se unir na luta socialista. Para os pensadores, o combate à exploração do capitalismo só teria sucesso se a revolução ocorresse em escala mundial, ultrapassando os limites dos Estados-nação.
Os dois intelectuais do socialismo científico criaram não somente um dos mais importantes textos da história contemporânea, mas também o mais marcante
slogan do movimento operário, reproduzido em todo o globo.
Mais de meio século depois, a frase se tornaria o lema da União Soviética de Stálin. O trecho que finaliza o
Manifesto foi adaptado – de “proletários de todos os países, uni-vos” passou a ser “trabalhadores do mundo, uni-vos!” – e colocado no brasão da potência socialista em 1923, permanecendo palavra de ordem da nação até seu colapso, no início da década de 1990.
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| Adolf Hitler discursando em 1932. A ascenção do Partido Nazista se deve, em parte, à força de sua propaganda |
Um povo, uma nação, um líderNo dia 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler assumiu o posto de chanceler da falida e instável Alemanha. Seis anos depois, este mesmo país havia recuperado sua indústria e seu poderio militar, era dominado por um dos mais cruéis regimes totalitários da história e estava à beira da Segunda Guerra Mundial.
O sucesso e a aceitação do governo do partido Nacional Socialista se deve, em grande parte, ao poder de sua propaganda. Sob o comando brilhante de Joseph Goebbels, a máquina publicitária alemã divulgou de incontáveis maneiras o lema máximo do Estado nazista:
Ein volk, ein reich, ein füher ou, em português, “um povo, uma nação, um líder”.
Sob o comando de Hitler, o
füher a que se refere o
slogan, o Estado alemão assassinou milhões de minorias e opositores do regime, na tentativa de criar seu “povo”, e lançou campanhas militares que, em nome da expansão do território da “nação” alemã, levaram a humanidade à guerra mais avassaladora da história.
| (C) Rolls Press / Popperfoto / Getty Images |
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| Republicanos combatem os militares insurgentes nas ruas de Toledo, onda a luta se estendeu até setembro de 1936 |
Não passarão!As origens deste
slogan, um dos mais usados pelos movimentos de resistência ao redor do mundo, remontam à Primeira Guerra Mundial: tudo indica que o general francês Robert Nivelle foi o primeiro a pronunciá-lo, na Batalha de Verdun.
No entanto, foi durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), no episódio do cerco a Madri, que a frase se tornou famosa. Na ocasião, a ativista Dolores Ibárruri Gómez, uma das fundadoras do Partido Comunista da Espanha, imortalizou o “No pasarán!”, fazendo dele o lema da resistência republicana às tentativas de invasão da capital espanhola pelas tropas do general Francisco Franco.
Atualmente, o
slogan se tornou símbolo de movimentos anti-fascistas, e dá nome a uma organização juvenil da esquerda argentina filiada ao PTS (Partido de los Trabajadores Socialistas).
| Acervo Última Hora / AESP |
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| Protestos na capital francesa em 1968. |
Sejam realistas, exijam o impossívelO famoso “Maio de 68” se tornou símbolo das lutas e utopias da década de 1960. O movimento, que começou com uma série de greves de estudantes na França, tomou proporções maiores, alcançou a camada trabalhadora e parou quase dois terços da mão de obra francesa. A população combateu a repressão policial, formou barricadas nas ruas e estendeu as críticas para além dos problemas trabalhistas, questionando os próprios valores da sociedade do período.
Dentre os vários
slogans criados pela juventude francesa, “sejam realistas, exijam o impossível” talvez seja o mais célebre. Outras frases, como “é proibido proibir”, “a política passa-se nas ruas” e “a revolução deve ser feita nos homens, antes de ser feita nas coisas”, sintetizaram também as propostas libertárias da geração 68.
O legado destes movimentos não se limita à França: praticamente todos os países do mundo ocidental passaram por verdadeiras ebulições políticas e culturais durante a década de 1960, e ainda hoje vivemos as conseqüências desses enfrentamentos.
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| Protesto pacífico contra a Guerra do Vietnã na Virgínia, EUA, em 1967. |
Faça amor, não a guerra (Make love, not war)Durante a década de 1960, cresceu nos Estados Unidos um movimento de oposição à Guerra do Vietnã (1955-1975) que se tornou símbolo da luta pacifista mundial. Encabeçada pelos movimentos estudantis, mas rapidamente conquistando a opinião pública, a desaprovação do envolvimento americano no conflito se desenvolveu no bojo da chamada “contracultura” que marcou a segunda metade do século XX.
Um dos principais
slogans do movimento anti-guerra foi o
Make love, not war (“Faça amor, não a guerra”). Não se sabe ao certo quem foi o autor da frase, mas os ativistas Franklin e Penelope Rosemont, em 1965, foram uns dos primeiros a disseminar o lema, imprimindo centenas de
botons com o escrito.
O
Make love, not war transcendeu seu tempo: além de imortalizado em canções de nomes como John Lennon e Bob Marley, o
slogan ainda é uma das principais palavras de ordem nas manifestações anti-guerra ao redor do mundo.
| Herman Hiller / Wikimedia Commons |
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| Malcolm X, líder do grupo radical dos "Panteras Negras", comumente associado ao movimento Black Power. |
Poder negro (Black Power)A expressão
Black Power foi usada com conotação política pela primeira vez em 1966. Durante um protesto contra o racismo, o ativista negro Stokely Carmichael foi detido pela vigésima sétima vez, afirmando que a única solução para o fim da segregação seria reivindicar definitivamente um “poder negro”.
O
slogan se disseminou entre as décadas de 1960 e 1970, período de maior efervescência da luta por direitos civis dos EUA, e se tornou lema do movimento.
A palavra de ordem foi geralmente associada a grupos mais radicais, como os "Panteras Negras" lederados por Malcolm X. Esses movimentos chegaram a reivindicar a formação de núcleos negros autônomos, com economia e instituições próprias e separadas do “poder branco”.
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| Pandit Nehru e Gandhi (à direita) em 08 de agosto de 1942, dia em que o Quit India foi proferido. Na manhã seguinte, ambos seriam presos por soldados britânicos |
Deixem a Índia!No dia 08 de agosto de 1942, na cidade de Bombaim, o ativista político e líder espiritual indiano Mahatma Gandhi proferiu um discurso em que exigia a retirada imediata dos britânicos do país asiático. Caso o pedido não fosse acatado, a Índia responderia com um protesto maciço, embora não-violento, contra a dominação inglesa.
Esse discurso, hoje nomeado de
Quit Índia (“Deixem a Índia”), rendeu a prisão de Gandhi e de praticamente todos os líderes do
Indian National Congress, principal partido de luta pela independência do país. Mas, principalmente, ele deu origem a um histórico movimento de desobediência civil por parte da população indiana, também batizado de
Quit Índia, que foi responsável por enormes avanços no processo de libertação do país do controle da Inglaterra.
Cinco anos depois, em 1947, o país de Gandhi conseguiu sua independência, e a memorável fala do líder indiano serviu de inspiração para outros discursos, como o célebre “Eu tenho um sonho”, do ativista americano Martin Luther King.
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| Navio de imigrantes judeus aportando em Haifa, na costa mediterrânica de Israel |
Uma terra sem povo para um povo sem terraO termo “sionismo” foi criado em 1892 pelo judeu russo Leo Pinsker. A palavra faz referência ao Monte Sião, a sudeste da atual Jerusalém, local em que teria sido construído o primeiro Templo de Salomão, de acordo com a Bíblia. O termo ganhou conotação política especialmente na obra de Theodor Herzl, judeu austríaco autor de
Der Judenstaat (“O Estado judeu”), de 1895, e fundador do moderno sionismo político.
O movimento fundado por Herzl reivindicou, desde o fim do século XIX, a formação de um Estado judeu independente. Após o término da Segunda Guerra Mundial e a exposição das atrocidades cometidas pelo regime nazista contra os judeus, a causa sionista ganhou força e, em 1948, seu projeto se concretizaria com a fundação do Estado de Israel.
Sob o
slogan “uma terra sem povo para um povo sem terra”, milhares de judeus rumaram para a Palestina, região de profundo significado religioso, e “colonizaram” o Estado recém-nascido.
O principal lema sionista é um dos mais controversos da história, já que a Palestina era e continua sendo povoada por diversas populações árabes, instaladas na região desde o período de domínio turco otomano.
| Arquivo ABr / Wikimedia Commons |
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| O líder político africano em visita ao Brasil, em 1998. |
Libertem Nelson Mandela!Em agosto de 1962, o sul-africano Nelson Mandela foi sentenciado a cinco anos de prisão. A pena foi renovada, e o ativista político foi condenado, em 1967, a passar o resto de sua vida encarcerado. Mandela estava sendo acusado, dentre outras coisas, de sabotagem, agitação política e planejamento de ações armadas contra o governo da África do Sul.
A prisão de um dos maiores ícones da oposição ao
apartheid repercutiu em todo o globo e gerou uma enorme reação da opinião pública. A palavra de ordem
Free Nelson Mandela se confundiu com o clamor pelo fim do próprio regime de segregação racial e acelerou sua queda, na década de 1990.
No dia 11 de fevereiro de 1990, depois de mais de 27 anos de prisão, Mandela foi libertado, em grande parte por causa da pressão internacional. Quatro anos depois, aos 76 anos, o pacifista se tornaria o primeiro presidente da África do Sul escolhido em uma eleição multirracial.